terça-feira, 1 de março de 2016

O Espírito Paulino


A profunda relação de nossa Família religiosa com são Paulo levou Pe. Alberione a compendiar o sentido de nossa presença na Igreja na seguinte expressão: viver o espírito paulino. Este espírito constituirá nosso modo de ser e de agir; e a medida em que o possuirmos, será a medida da validade de nossa ação entre os homens.


É, portanto, essencial para nós conhecer bem o espírito paulino. Embora seja notória a insistência de nosso Fundador neste ponto, não é sempre fácil entendê-lo com exatidão quando fala a esse respeito. Esta expressão, quando ele a usa, tinge-se amiúde de matizes diversos que podem induzir a certa confusão se não se cuida de referi-la sempre ao conceito essencial, expresso às vezes com simplicidade e clareza.



Devemos previamente declarar duas coisas que nos ajudarão a compreender a natureza simples do espírito paulino:


  1. É necessário estar conscientes de que este espírito não é uma singularidade sem importância, mas uma verdadeira riqueza para a Igreja. Esta estimula os religiosos a "encontrarem expressões adaptadas e seguras, graças às quais interpretem e observem o espírito e as finalidades dos fundadores" (ES 12). Através do Concílio Vaticano II, a Igreja se manifestou interessada na "variedade dos dons de seus filhos", porque lhe permitem apresentar-se melhor ordenada a Cristo, seu Esposo (PC 1). Por isso assegura que "reverte em bem da Igreja que os Institutos mantenham sua índole e a sua função particular" (PC 2) e garante "ajudá-los para que cresçam e floresçam segundo o espírito dos Fundadores" (LG 45). Esta posição tão bela e aberta funda-se na doutrina de são Paulo que ensinou a ver o Corpo místico qual unidade resultante da variedade dos "dons", dos "ministérios", das "operações" que o tornam dinâmico e completo, de modo que todos juntos, cada qual com a própria fisionomia e contribuição, possamos chegar "ao estado do homem perfeito, até alcançar a medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4,13). A Igreja nos recebeu e aprovou para que vivêssemos e operássemos segundo o espírito paulino. Ela seria mais pobre se nós, hoje, não tornássemos presente esse espírito na esplêndida variedade de seu Corpo místico. E nós não seremos Igreja senão na fidelidade à nossa finalidade apostólica e ao espírito que a produz. Justamente para corresponder ao dom que o Espírito Santo lhe confiou, o nosso Fundador insistiu sempre no "espírito" que nos personaliza no Corpo místico e defendeu-o com vigor quando alguma coisa parecia poder incidir de maneira diversa sobre nossa fisionomia religiosa. 
  2. Para conhecer o que o nosso Fundador entendeu efetivamente por "espírito paulino" é útil distinguir três momentos em sua longa manifestação a esse respeito:
  • O momento da vida e da ação: é toda a atitude pessoal do Pe. Alberione que pensa, reza e age baseado em determinadas inspirações fundamentais, das quais se nutre; ele forma e desenvolve antes de tudo em si mesmo o espírito paulino. O Papa Paulo VI a reconheceu com grande exatidão, quando descreveu o Pe. Alberione "imbuído do espírito do Apóstolo Paulo" e por isso disposto a "submeter ao suave jugo do Mestre Divino e ao serviço da verdade salvadora os meios técnicos que o mundo produz" (4-4-1964).
  • O momento da reflexão e da definição: é o esforço gradual de Pe. Alberione para fixar o conceito desse espírito e apresentá-lo aos seus filhos e filhas, em variedade de formulas, mas também no sentido da sua essencialidade.
  • O momento da defesa: é frequente exortação à fidelidade que devemos ter para com esta fisionomia interior, sem a qual não se manteria a unidade e a força de nosso testemunho e de nosso apostolado. Deste terceiro momento encontram-se expressões enérgicas e apaixonadas sobretudo no decênio de 60, quando o magnífico e tormentoso desenvolvimento do pensamento conciliar, em contraste com certa estagnação de pensamento no interior da Família Paulina, suscitava fermentos e inquietações que necessitavam de uma resposta serena e aprofundada (peculiaridade do espírito de são Paulo, tão aberto!). A posição do Pe. Alberione permanece coerente, consciente de ter dado, com um espírito paulino bem entendido, aquilo que serve à Igreja em nosso tempo.
O máximo valor cabe ao "primeiro momento", onde se observa Pe. Alberione, que viveu e aplicou pessoalmente o espírito paulino, apresentar uma experiência dele, que continua a ser para nós fundamental.

Do "segundo momento" (reflexão e definição) daremos aqui os elementos essenciais.

DEFINIÇÕES

"O espírito de um Instituto é definido: um modo característico e permanente de ver, pensar e querer, até reproduzi-lo na vida. (O nosso) se reduz, no fundo, ao seguinte: Viver integralmente o Evangelho de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, como são Paulo o interpretou, sob o olhar de Maria, Mãe, Mestra e Rainha" (UPS I,51).
Primeiro Capítulo geral, abril de 1957
 "A Congregação Paulina quer viver e dar inteiramente Jesus Cristo como o Apóstolo são Paulo o interpretou, viveu e deu ao mundo inteiro. E tudo sob a proteção e à imitação de Maria Rainha dos Apóstolos e dos apostolados, que deu ao mundo Jesus Mestre,Caminho, Verdade e Vida" (CISP 159).
A essência  do espírito paulino acha-se, pois, nos seguintes termos:

  1. um empenho fundamental de integralidade cristã,
  2. em uma resposta à plenitude de Cristo, Caminho, Verdade e Vida,
  3. no sentido profundo e dinâmico proposto pelo Apóstolo Paulo,
  4. no clima bíblico, sobrenatural, de Maria Rainha dos Apóstolos.
EXPLICAÇÕES E VARIAÇÕES SOBRE O TEMA

Dom do Espírito
"Cada Congregação tem um espírito e um 'dom próprio', espírito que é para ela a alma e o princípio de fecundidade e também a razão de ser, aprovada pela Santa Sé. Se os membros da Congregação, estudando este espírito, se entusiasmarem por este dom de Deus, sentirão o espírito de família em grau mais intenso" (UPS IV, 125).
Simplificação
"O que vos nutre, é o espírito paulino. Tendes uma espiritualidade cristã paulina e nenhuma outra; isto é, a espiritualidade cristã como são Paulo a interpretou. Não há nada de melhor... Nosso espírito é o Evangelho. Vós não tendes uma particularidade na Igreja, mas possuís um  senso de universalidade: o Cristo todo. Espírito paulino quer dizer que são Paulo interpretou e apresentou-nos nas suas pregações e nas suas Epístolas o Evangelho, o espírito de Jesus Cristo" (Pr CS 691).
O essencial 
 "Às vezes oferecemos demasiadas coisas acidentais e menos as essenciais. Dar a essência do cristianismo, porque a vida paulina tem a sua finalidade de santificação, que é a seguinte: tornar Jesus mais perfeitamente conhecido. E, aos mesmo tempo, dar Jesus às almas, como ele é, com os meios modernos. O espírito consiste nisto. Podemos utilizar todos os meios modernos, mas o espírito está em fazer tudo para que Jesus seja conhecido, amado e seguido" (Pr A 166).
 Fulcro: São Paulo
"Seguimos verdadeiramente o espírito de são Paulo? Qual é o espírito de são Paulo? É este: Ele é aquele que indica o Mestre Divino; isto é, ele acolheu o Evangelho, o meditou profundamente e depois o adaptou ao mundo, às necessidades de seu tempo e às necessidades das várias nações... Assim devemos nós aplicar o Evangelho aos nossos dias e dar o Evangelho ao mundo atual pelos meios que o progresso nos oferece, para transmitir o pensamento, a doutrina de Jesus Cristo" (Pr A 88).
Centro e fim
"Qual é o espírito? Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida. Estas palavras compreendem o espírito segundo a interpretação de são Paulo e sob a proteção da Rainha dos Apóstolos. As almas progredirão na medida em que seguirem a Jesus Caminho, Verdade e Vida e conformarem a esta devoção o trabalho espiritual, o apostolado, o estudo e toda a vida religiosa" (Pr UP 629).
Por essas definições elucidativas evidencia-se claramente que são Paulo ocupa lugar central em nosso espírito que, por isso, se define como "paulino". São Paulo é o fulcro, a passagem necessária, o intérprete da missão que nos foi dada por Deus. "Como ele fez, assim também nós" dir-nos-á sempre Pe. Alberione (Pr UP 658). "Um amor pleno, jamais incerto, jamais vago, mas prático que vive todo o Evangelho como foi interpretado por são Paulo" (Corr 135).

Os supracitados esclarecimentos de nosso Fundador deixamos também perceber algumas características preliminares deste espírito. Ei-las:

  1. É libertador, no sentido  de que não nos demos alimentar de particularidades ou de métodos complicados, mas da essência evangélica. É a autêntica liberdade de são Paulo, que concentrara tudo no conhecimento e na posse de Cristo e que, daquele centro, avalia tudo: "Tudo é vosso, vós sois de Cristo, Cristo é de Deus".
  2. É exigente, enquanto nos compromete na medida da energia, profundidade e universalidade de visão própria de são Paulo relativamente a Cristo e aos homens. Todo nosso empenho na Igreja deve ser medido segundo esta formidável integralidade de são Paulo.
  3. É a origem e a norma de todas as nossas orientações: a formação: "o espírito paulino tem por escopo enxertar-nos em Jesus Cristo, como nele se enxertou são Paulo" (Pr V 459); a oração: "Nossa oração apresenta diante de Deus todo o nosso ser: mente, vontade, coração, corpo... quem se familiariza com isto e é fiel a isto, pouco a pouco é iluminado, fortificado, guiado na espiritualidade de são Paulo; o apostolado: "Sentimos com são Paulo que: 'sou devedor a todos', segundo o espírito paulino, em primeiro lugar nos dirigimos às massas" (CISP 206); as várias iniciativas: "Ut unum sint vem do espírito do Instituto; não somos mandados a uma cidade ou a uma nação, mas ao mundo inteiro... abrigar em nosso coração o mundo inteiro, como são Paulo: todas as nações, todos os continentes" (CISP 515).
Brevemente: "O espírito da Congregação é o espírito de são Paulo" (Pr UP 558), o qual "indica o nosso caminho, excita energias, mostra as possibilidades enquanto nos mostra a coroa do céu" (Pr C 298). "Este espírito paulino abrange toda a nossa vida, interior e exterior, e mediante a graça, faz da Congregação um só corpo, um corpo místico, o qual opera segundo o querer de Deus, santifica cada membro, possui fecundidade no apostolado" (Pr VO 389).

Fonte: São Paulo e a Família Paulina no Pensamento do Pe. Tiago Alberione, Pe. Roatta. Edições Paulinas, São Paulo-SP.

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