Rádio

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Nos fará bem pedir ao Senhor que nos dê o dom da fortaleza

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 14 de Maio de 2014

Refletimos nas catequeses passadas sobre os primeiros três dons do Espírito Santo: a sabedoria, o entendimento e o conselho. Hoje pensemos naquilo que o Senhor faz: Ele vem sempre para nos apoiar na nossa fraqueza e faz isto com um dom especial: o dom da fortaleza.
1. Há uma parábola, contada por Jesus, que nos ajuda a acolher a importância deste dom. Um semeador sai para semear; nem toda a semente que espalha, porém, dá fruto. Aquilo que acaba pelo caminho é comido pelos pássaros; aquilo que cai em terreno rochoso ou em meio a espinhos semeia, mas logo é secado pelo sol ou sufocado pelos espinhos. Somente aquilo que termina em terreno bom pode crescer e dar fruto (cfr Mc 4, 3-9 // Mt 13, 3-9 // Lc 8, 4-8). Como o próprio Jesus explica aos seus discípulos, este semeador representa o Pai, que espalha abundantemente a semente da sua Palavra. A semente, porém, muitas vezes encontra a aridez do nosso coração e, mesmo quando é acolhida, corre o risco de permanecer estéril. Com o dom da fortaleza, em vez disso, o Espírito Santo liberta o terreno do nosso coração, liberta-o do torpor, das incertezas e de todos os nossos medos que possam impedi-Lo, de modo que a Palavra do Senhor seja colocada em prática, de modo autêntico e alegre. É uma verdadeira ajuda este dom da fortaleza, dá-nos força, liberta-nos também de tantos impedimentos.
2. Há também momentos difíceis e situações extremas nas quais o dom da fortaleza se manifesta de modo extraordinário, exemplar. É o caso daqueles que se encontram diante de experiências particularmente duras e dolorosas, que perturbam suas vidas e de seus entes queridos. A Igreja resplandece com o testemunho de tantos irmãos e irmãs que não exitaram em dar a própria vida para permanecerem fiéis ao Senhor e ao seu Evangelho. Mesmo hoje não faltam cristãos que em tantas partes do mundo continuam a celebrar e a testemunhar a sua fé, com profunda convicção e serenidade, e resistem mesmo quando sabem que isso pode comportar um preço mais alto. Também nós, todos nós, conhecemos pessoas que viveram situações difíceis, tantas dores. Pensemos naqueles homens, naquelas mulheres que levam uma vida difícil, lutam para levar adiante a família e educar os filhos: fazem tudo isso porque há o espírito de fortaleza que os ajuda. Quantos homens e mulheres – nós não sabemos seus nomes – que honram nosso povo, nossa Igreja, porque são fortes: fortes em levar adiante sua vida, sua família, seu trabalho, sua fé. Estes nossos irmãos e irmãs são santos, santos no cotidiano, santos escondidos em meio a nós: têm justamente o dom da fortaleza para poder levar adiante o seu dever de pessoas, de pais, de mães, de irmãos, de irmãs, de cidadãos. Temos tantos! Agradeçamos ao Senhor por estes cristãos que são de uma santidade escondida: é o Espírito Santo que têm dentro que os leva adiante! E nos fará bem pensar nessas pessoas: se elas fazem tudo isso, se elas podem fazê-lo, por que não eu? E nos fará bem também pedir ao Senhor que nos dê o dom da fortaleza.
3. Não é preciso pensar que o dom da fortaleza seja necessário somente em algumas ocasiões, ou em situações particulares. Este dom deve constituir um pano de fundo do nosso ser cristão, na ordinariedade da nossa vida cotidiana. Como disse, em todos os dias da vida cotidiana devemos ser fortes, temos necessidade desta fortaleza, para levar adiante a nossa vida, a nossa família, a nossa fé. O apóstolo Paulo disse uma frase que nos fará bem ouvir: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fil 4, 13). Quando enfrentamos a vida ordinária, quando vêm as dificuldades, recordemos isto: “Tudo posso naquele que me fortalece”. O Senhor nos dá a força, sempre, não a deixa faltar. O Senhor não nos dá uma prova maior do que podemos tolerar. Ele está sempre conosco. “Tudo posso naquele me fortalece”.
Queridos amigos, às vezes podemos ser tentados a nos deixar levar pela preguiça ou, pior, pelo desânimo, sobretudo diante dos cansaços e das provações da vida. Nestes casos, não vamos desanimar, invoquemos o Espírito Santo para que, com o dom da fortaleza, possa aliviar o nosso coração e comunicar nova força e entusiasmo na nossa vida e no nosso seguimento a Jesus.
(Trad.:Canção Nova)

SÃO MATIAS, APÓSTOLO


No capítulo I dos Atos dos Apóstolos vem narrada a eleição desse apóstolo, chamado a recompor o número dos Doze, após a defecção de Judas Iscariotes. Pedro sugeriu o método já posto em prática no Antigo Testamento: tirar a sorte entre dois candidatos. Eram estes José, cognominado o Justo, e Matias. Ambos preenchiam os requisitos para a missão apostólica.
“É necessário, pois, que, destes homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu no meio de nós, a começar pelo batismo de João até o dia em que nos foi arrebatado, haja um que se torne conosco testemunha de sua ressurreição.” Antes de tirar a sorte, os apóstolos pediram: “Mostra, Senhor, qual foi que escolheste”. 
A sorte recaiu em Matias.
É conveniente saber que, antes de fazer parte do reduzido grupo dos apóstolos, reunidos à espera de Pentecostes, o escolhido seguiu Jesus desde o começo de sua vida pública, em meio ao grupo dos discípulos cujo número aumentava, e dia após dia foi testemunha da ressurreição. Depois da descida do Espírito Santo, igualmente para o apóstolo Matias teve início a missão de pregar o Evangelho na Judéia. Mas desde esse momento não houve mais notícias a seu respeito.
A tradição faz chegar até nós a imagem de um ancião, que segura uma alabarda — símbolo de seu martírio. Mas não é certo que tenha morrido mártir, assim como não se pode comprovar que haja morrido em Jerusalém — ou que santa Helena tenha levado suas relíquias a Tréveris, sob a guarda da abadia que traz seu nome.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Homilia do papa na Casa Santa Marta: é Deus quem evangeliza, não a burocracia

O papa Francisco nos pede docilidade ao Espírito Santo, diálogo e confiança na graça

Cidade do Vaticano,  (Zenit.orgRedacao | 217 visitas

Em sua homilia na missa desta quinta-feira na Casa Santa Marta, o papa Francisco recordou que “quem faz a evangelização é Deus”, contrapondo esta verdade ao excesso de burocratização que pode obstaculizar a aproximação das pessoas de Deus.
O Santo Padre destacou o modelo seguido pelo apóstolo Felipe, que, como indicam os Atos dos Apóstolos, ressalta três qualidades cristalinas de um cristão: a docilidade ao Espírito Santo, o diálogo e a confiança na graça.
O primeiro caso acontece quando o Espírito Santo pede que Felipe interrompa as suas atividades e vá atrás da carruagem em que o ministro da rainha da Etiópia está viajando entre Jerusalém e Gaza.
“Felipe obedece, é dócil à palavra do Senhor. Sem dúvida, ele teve que deixar de lado muitas coisas que tinha para fazer, porque os apóstolos, naqueles tempos, estavam muito ocupados com a evangelização. Ele deixa tudo de lado e vai. E isso nos faz ver que, sem esta docilidade à voz de Deus, ninguém pode evangelizar, ninguém pode anunciar Jesus Cristo, ou, no máximo, vai anunciar a si mesmo. É Deus quem chama, é Deus quem coloca Felipe no caminho. E Felipe vai, é dócil”.
O encontro com o ministro etíope é, para Felipe, uma ocasião de anúncio do evangelho. Mas este anúncio, explicou Francisco, não é um ensinamento que chega do alto, uma imposição. É um diálogo que o apóstolo tem o cuidado de iniciar, respeitando a sensibilidade espiritual do seu interlocutor, que está lendo, mas sem conseguir entender, uma passagem do profeta Isaías.
“Não podemos evangelizar sem dialogar, não podemos. Porque temos que partir justamente de onde está a pessoa que tem que ser evangelizada”.
O papa recorda que alguém poderia dizer: “Mas assim perdemos muito tempo, porque cada um tem a sua história, tem as suas ideias...”. E Francisco observa: “Deus perdeu mais tempo na criação do mundo e fez um grande trabalho”.
Ele nos pede “perder o tempo com a outra pessoa, porque é aquela pessoa que Deus quer que nós evangelizemos, que lhe demos a notícia de que Jesus é o mais importante. Mas do jeito que essa pessoa é agora, não do jeito que deverá ser”.
As palavras de Felipe suscitam no ministro etíope o desejo de ser batizado e, no primeiro curso d’água, é o que acontece. Felipe batiza o etíope, “o põe nas mãos de Deus e da sua graça”. E o papa completa: o ministro passará a transmitir a fé e “talvez isto nos ajude a entender melhor que quem faz a evangelização é Deus”.
O Santo Padre nos convidou a meditar sobre esses três momentos da evangelização: a docilidade para evangelizar e fazer o que Deus nos manda; o diálogo com as pessoas, que precisa partir do contexto em que elas estão; e terceiro, confiar na graça: é mais importante a graça do que toda a burocracia.
Francisco nos incentivou, finalmente, a recordar que “nós, na Igreja, muitas vezes somos uma empresa que fabrica impedimentos para as pessoas chegarem à graça. Que nosso Senhor nos faça entender isso”.

Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/homilia-do-papa-na-casa-santa-marta-e-deus-quem-evangeliza-nao-a-burocracia

terça-feira, 6 de maio de 2014

Homilia do papa Francisco na Casa Santa Marta: A Igreja é fecunda e mãe quando dá testemunho de Jesus Cristo

Nesta terça-feira, o Santo Padre recorda que a Igreja não é uma universidade da religião

Cidade do Vaticano,  (Zenit.orgRedação

O cristão que não dá testemunho se torna estéril, disse o Santo Padre na missa celebrada hoje de manhã na capela da Casa Santa Marta. Durante a homilia, Francisco refletiu sobre o martírio de Santo Estêvão, narrado nos Atos dos Apóstolos.
O papa indicou que a Igreja não é "uma universidade da religião", mas sim o povo que segue Jesus: só assim "ela é fecunda e mãe".
"O martírio de Estêvão deriva do martírio de Jesus", observou Francisco. O Santo Padre percorreu o caminho que levou o primeiro mártir da Igreja até a morte. Ele também, como Jesus, tinha se visto diante dos "ciúmes dos dirigentes que queriam eliminá-lo", disse o papa. Também contra ele há "falsos testemunhos", um "julgamento feito um pouco depressa". E Estêvão lhes diz, como Jesus tinha dito, que eles estão resistindo ao Espírito Santo.
O papa considerou que "aquela gente não estava tranquila, não estava em paz no próprio coração". Eles "tinham ódio" no coração. Francisco explicou que "esse ódio foi semeado no coração deles pelo diabo", "é o ódio do demônio contra Cristo"; um ódio "que fez o que quis com Jesus na sua Paixão e que agora repete o mesmo com Estêvão". E, no martírio, podemos ver claramente "essa luta entre Deus e o demônio".
Por outro lado, Jesus tinha dito aos seus que eles deviam se alegrar por ser perseguidos por causa do seu nome: "Ser perseguido, ser mártir, dar a vida por Jesus é uma das bem-aventuranças", recordou. Por isso, "o demônio não pode ver a santidade de uma Igreja ou a santidade de uma pessoa sem tentar fazer alguma coisa contra". E é isso o que ele faz com Estêvão, mas "ele morre como Jesus: perdoando".
O pontífice explicou que "martírio é a tradução da palavra grega que também significa testemunho. Podemos dizer que, para um cristão, o caminho segue as pegadas desse testemunho, as pegadas de Jesus para dar testemunho dele e, muitas vezes, esse testemunho acaba dando a vida. Não podemos entender um cristão sem que ele seja testemunha, sem que ele dê testemunho. Nós não somos uma religião de ideias, de pura teologia, de coisas bonitas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e dá testemunho, mas quer dar testemunho de Jesus Cristo. E esse testemunho, algumas vezes, chega a dar a vida".
Lemos nos Atos dos Apóstolos que, quando Estêvão foi morto, "começou uma violenta perseguição contra a Igreja de Jerusalém". O papa explicou que essas pessoas "se sentiam fortes e o demônio as impulsionava a fazer isso"; e, assim, "os cristãos se dispersaram na região da Judeia e da Samaria".
O papa prosseguiu a homilia indicando que as perseguições fizeram com que essa "gente fosse para longe" e, em todo lugar que chegava, como conta a Escritura, dava testemunho de Jesus. Foi assim que "começou" a "missão da Igreja". E muitos se convertiam escutando essa gente. Francisco recordou que um dos Padres da Igreja explicava isto dizendo que "o sangue dos mártires é a semente dos cristãos".
"O testemunho, tanto na vida cotidiana como no meio das dificuldades, perseguições, com a morte, é sempre fecundo. A Igreja é fecunda e mãe quando dá testemunho de Jesus Cristo. Mas quando a Igreja se fecha em si mesma, ela se acha, digamos assim, uma 'universidade da religião', com muitas ideias bonitas, com muitos templos, com muitos museus bonitos, com muitas coisas bonitas, mas não dá testemunho, se torna estéril. Com o cristão acontece o mesmo. O cristão que não dá testemunho se torna estéril, sem dar a vida que recebeu de Jesus Cristo".
Falando da figura de Estêvão, o papa destacou que ele "estava cheio de Espírito Santo" e advertiu que "não se pode dar testemunho sem a presença do Espírito Santo em nós". "Nos momento difíceis, em que temos que escolher o caminho justo, em que temos que dizer 'não' a tantas coisas que, talvez, tentam nos seduzir, nós podemos contar com a oração ao Espírito Santo e Ele nos torna fortes para seguirmos este caminho do testemunho", encorajou o papa.
Para concluir, o pontífice perguntou: "Pensando hoje nesses dois ícones, Estêvão, que morre, e as pessoas, os cristãos, que fogem da violenta perseguição e vão para toda parte, vamos nos perguntar: como é o meu testemunho? Sou um cristão que é testemunha de Jesus ou sou um simples numerário desta seita? Sou fecundo porque dou testemunho ou permaneço estéril porque não sou capaz de deixar que o Espírito Santo me leve adiante na minha vocação cristã?".
Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/homilia-do-papa-francisco-na-casa-santa-marta-a-igreja-e-fecunda-e-mae-quando-da-testemunho-de-jesus

segunda-feira, 5 de maio de 2014

CNBB abre inscrições para primeira Missão Jovem na Amazônia

Comissões Episcopais para Juventude pretendem despertar iniciativas missionárias de católicos no Brasil

Brasília,  (Zenit.orgLilian da Paz

Estão abertas as inscrições para a Missão Jovem na Amazônia. Inspiradas pelo apelo do Papa Francisco na JMJ 2013 - ‘Ide, sem medo, para servir’ – as Comissões Episcopais para a Juventude, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), decidiram organizar este grande chamado missionário.
A ideia da missão jovem veio também da realização de um seminário sobre o tema, realizado em 2012, ainda em preparação para a Jornada do Rio de Janeiro. A concretização do projeto veio no fim do ano passado com o 1º Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, em que diversas dioceses tiveram a oportunidade de se candidatarem para receber uma missão juvenil.
As dioceses escolhidas para a primeira edição da Missão Jovem na Amazônia foram Roraima, Coari, Borba e Parintins (estas três últimas na Amazônia). Estas Igrejas locais vão receber 60 jovens selecionados de todas as regiões do país. Os escolhidos passarão por formação online e presencial, sendo enviados à missão na primeira quinzena de dezembro, ainda neste ano. Durante 10 dias estes jovens vão viver a realidade das dioceses da Missão, levando o amor de Cristo. 
Com o término da missão, os jovens se reúnem para uma avaliação em Manaus (AM) entre os dias 13 e 15 de dezembro. Lá eles irão partilhar as experiências vividas e vão redigir uma carta destinada à Igreja no Brasil com intuito de fomentar outras iniciativas como essa, animando o caráter missionário dos católicos no país.
Quem quiser participar da Missão deve ter entre 18 e 35 anos de idade. As inscrições podem ser feitas pelo endereço eletrônico www.jovensconectados.org.br/missao-jovem-na-amazoniaaté as 23 horas e 59 minutos do dia 31 de maio.
Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/cnbb-abre-inscricoes-para-primeira-missao-jovem-na-amazonia

Homilia do papa na Casa Santa Marta: cristãos sem vaidade e sem sede de poder e dinheiro

Francisco afirma que é preciso seguir o Senhor com retidão de intenção

Cidade do Vaticano,  (Zenit.orgRedacao

Há pessoas na Igreja que seguem Jesus por vaidade ou por sede de poder e dinheiro. Que nosso Senhor nos dê a graça de segui-lo só por amor. Esta foi a mensagem do papa Francisco extraída das leituras de hoje e explicada na homilia da missa celebrada na capela da Casa Santa Marta.
No evangelho do dia, Jesus repreende a multidão que o procura porque tinha se saciado depois da multiplicação dos pães e dos peixes. O Santo Padre nos convidou a perguntar se seguimos o Senhor por amor ou para ter alguma vantagem. “Porque nós somos todos pecadores e sempre existe algo de interesse que tem que ser purificado no seguimento de Jesus. Temos que trabalhar interiormente para segui-lo por causa dele mesmo, por amor. Jesus alude a três atitudes que não são boas para segui-lo ou para buscar a Deus. A primeira é a vaidade”. Em particular, explicou o pontífice, ela aparece nos dirigentes religiosos que dão esmola ou jejuam para aparecer.
“Eles gostavam de se exibir e se comportavam como verdadeiros pavões! Eram assim. E Jesus diz: ‘Não, não pode ser assim. Não pode. A vaidade não faz bem’. E, algumas vezes, nós fazemos as coisas tentando nos mostrar um pouco, procurando a vaidade. A vaidade é perigosa, porque nos faz cair imediatamente no orgulho, na soberba, e, depois, tudo termina nisso. Eu me pergunto: Como é que eu sigo Jesus? As coisas boas que eu faço, faço escondidas ou gosto que todo o mundo me veja?”.
“E também penso em nós, os pastores, porque um pastor que é vaidoso não faz bem ao povo de Deus”. Pode ser um sacerdote, um bispo, mas, se ele “gosta da vaidade”, então “não segue Jesus”.
“A outra coisa que Jesus repreende em quem o segue é o poder. Alguns seguem Jesus, mas ‘só um pouco’, não com plena consciência, um pouco inconscientemente. Porque eles procuram o poder. O caso mais claro é o de João e Tiago, os filhos de Zebedeu, que pediam a Jesus a graça de ser o primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro quando chegasse o Reino. E na Igreja há muitos ‘arrivistas’! Há muitos que usam a Igreja para subir… Se é isso que você quer, faça alpinismo: é mais saudável! Mas não venha à Igreja tentar subir! E Jesus repreende esses arrivistas que procuram o poder”.
“Só quando vem o Espírito Santo é que os discípulos mudam. Mas o pecado em nossa vida cristã permanece e seria bom nos perguntarmos: Como é que eu sigo Jesus? Só por Ele, até a cruz, ou procuro o poder e uso um pouco a Igreja, a comunidade cristã, a paróquia, a diocese para ter um pouco de poder?”.
“A terceira coisa que nos afasta da retidão de intenções é o dinheiro”.
“Quem segue Jesus por dinheiro tenta se aproveitar economicamente da paróquia, da diocese, da comunidade cristã, do hospital, do colégio… Pensemos na primeira comunidade cristã, que teve essa tentação: Simão, Ananias e Safira… Essa tentação existiu desde o começo e nós conhecemos tantos bons católicos, bons cristãos, amigos, benfeitores da Igreja, inclusive com condecorações várias… Muitos! Mas, depois, descobrimos que eles fizeram negócios um pouco obscuros: eram verdadeiros especuladores e ganharam muito dinheiro! Eles se apresentavam como benfeitores da Igreja, mas recebiam muito dinheiro e nem sempre era dinheiro limpo”.
“Peçamos ao Senhor a graça do Espírito Santo de ir atrás dele com retidão de intenção: só por Ele. Sem vaidade, sem desejos de poder e sem desejos de dinheiro”.

Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/homilia-do-papa-na-casa-santa-marta-cristaos-sem-vaidade-e-sem-sede-de-poder-e-dinheiro

domingo, 4 de maio de 2014

3º DOMINGO DA PÁSCOA

1ª LEITURA: At 2,14.22-23
SALMO 15(16)
2ª LEITURA: 1Pd1,17-21
EVANGELHO: Lc 24,13-35



A liturgia de hoje nos conscientiza de que Jesus, apesar – e por meio – de seu sofrimento e morte, é aquele que realiza plenamente o que a experiência de Deus no Antigo Testamento já deixou entrever, aquilo que se reconhece nas antigas Escrituras quando se olha para trás à luz do que aconteceu a Jesus. Ao tomarmos consciência disso, brota-nos, como nos discípulos de Emaús, um sentimento de íntima gratidão e alegria (“Não ardia o nosso coração…?” [Lc 24,32]) que invade a celebração toda, especialmente quando, ao partir o pão, a comunidade experimenta o Senhor ressuscitado presente no seu meio.

A saudade é a benfazeja presença do ausente. Quando alguém da família ou uma pessoa querida está longe, a gente procura se lembrar dessa pessoa. É o que aconteceu com os discípulos de Emaús. Jesus fora embora… mas, sem que o reconhecessem, estava caminhando com eles. Explicava-lhes as Escrituras. Mostrava-lhes o veio escondido do Antigo Testamento que, à luz daquilo que Jesus fez, nos faz compreender ser ele o Messias: os textos que falam do Servo Sofredor, o qual salva o povo por seu sofrimento (Is 52-53); ou do Messias humilde e rejeitado (Zc 9-12); ou do povo dos pobres de Javé (Sf 2-3) etc. Jesus ressuscitado mostrou aos discípulos de Emaús esse veio, textos que eles já tinham ouvido, mas nunca relacionado com aquilo que Jesus andou fazendo… e sofrendo.

Isso é uma lição para nós. Devemos ler a Sagrada Escritura por intermédio da visão de Jesus morto e ressuscitado, dentro da comunidade daqueles que nele creem. É o que fazem os apóstolos na sua primeira pregação, quando anunciam ao povo reunido em Jerusalém a ressurreição de Cristo, explicando os textos que, no Antigo Testamento, falam dele, como mostra a primeira leitura de hoje. Para a compreensão cristã da Bíblia,é preciso ler a Bíblia na Igreja, reunidos em torno de Cristo ressuscitado.

O que aconteceu em Emaús, quando Jesus abriu as Escrituras aos discípulos, é parecido com a primeira parte de nossa celebração dominical, a liturgia da Palavra. E muito mais parecido ainda com a segunda parte, o rito eucarístico: Jesus abençoa e parte o pão, e nisso os discípulos o reconhecem presente. Desde então, a Igreja repete esse gesto da fração do pão e acredita que, neste, Cristo mesmo se torna presente.

Emaús nos ensina as duas maneiras fundamentais de ter Cristo presente em sua ausência: ler as Escrituras à luz de sua memória e celebrar a fração do pão, o gesto pelo qual ele realiza sua presença real, na comunhão de sua vida, morte e ressurreição. É a presença do Cristo pascal, glorioso – já não ligado ao tempo e ao espaço, mas acessível a todos os que o buscam na fé e se reúnem em seu nome.

Pe. Johan Konings, sj
Nascido na Bélgica, reside há muitos anos no Brasil, onde leciona desde 1972. É doutor em Teologia e mestre em Filosofia e em Filologia Bíblica pela Universidade Católica de Lovaina. Atualmente é professor de Exegese Bíblica na Faje, em Belo Horizonte. Dedica-se principalmente aos seguintes assuntos: Bíblia – Antigo e Novo Testamento (tradução), evangelhos (especialmente o de João) e hermenêutica bíblica. Entre outras obras, publicou: Descobrir a Bíblia a partir da liturgia; A Palavra se fez livro; Liturgia dominical: mistério de Cristo e formação dos fiéis – anos A-B-C; Ser cristão; Evangelho segundo João: amor e fidelidade; A Bíblia nas suas origens e hoje; Sinopse dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da “Fonte Q”.

Fonte: http://vidapastoral.com.br/roteiros/4-de-maio-3o-domingo-da-pascoa