Rádio

sexta-feira, 14 de março de 2008

Encaixe perfeito...

"Um fariseu convidou Jesus para jantar. Ele entrou na casa do fariseu e sentou-se à mesa.
Havia na cidade uma mulher que era pecadora. Quando soube que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro, cheio de perfume, postou-se atrás, aos pés de Jesus e, chorando, lavou-os com suas lágrimas. Em seguida, enxugou-os com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Ao ver isso, o fariseu que o tinha convidado comentou: "Se este homem fosse profeta, saberia quem é a mulher que está tocando nele: é uma pecadora!" Então Jesus falou: "Simão, tenho uma coisa para te dizer". Ele respondeu: "Fala, Mestre". "Certo credor", retomou Jesus, "tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro cinquenta. Como não tivessem com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles o amará mais?" Simão respondeu: "Aquele ao qual perdoou mais". Jesus lhe disse: "Julgaste corretamente". Voltando-se para a mulher, disse a Simão: "Estás vendo esta mulher? Quando entrei na tua casa, não me ofereceste água para lavar os pés; ela, porém, lavou meus pés com lágrimas e os enxugou com seus cabelos.
Não me beijaste; ela, porém, desde que cheguei, não parou de beijar meus pés. Não derramaste óleo em minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. Por isso te digo: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, pois ela mostrou muito amor. Aquele, porém, a quem menos se perdoa, ama menos". Em seguida, disse à mulher: "Teus pecados estão perdoados". Os convidados começaram a comentar entre si: "Quem é este que até perdoa pecados?" Jesus, por sua vez, disse à mulher: "Tua fé te salvou. Vai em paz!" (Lc 7,36-50)








Ela, prostituta. Mercadoria do machismo, obrigada a estar sempre pronta, arrumada, “disponível” ao uso. Ela, “um saco” de medos, auto defesa, carências, mágoas, inferioridade, incompreensão, falta de identidade, de futuro.
Ela, ouve falar de Jesus. Ouve a mensagem que é o próprio Jesus. Espreita-O. Encontra-O… é encontrada!!! (Lc 7, 36ss)
Uma revolução interior, um fogo a queimar-lhe por dentro. Aquela que via confusamente, que era fragmentada, agora enxergava tudo. Aquela que conhecia em parte, agora conhecia completamente, face a face, como já era conhecida.
Ela foi encontrada! Ela acreditou!



Que valores norteavam suas decisões? Fez revisão. Muitas coisas então foram jogadas fora, “ela ultrapassou toda medida, não lhe bastando meros preceitos. Lágrimas, perfume, que acolhida! Nem se importando com preconceitos. Ela muito amou…!”
Ela deixou-se amar! “Também as pessoas do nosso tempo não se deixam amar facilmente, por causa das marcas deixadas pelo pecado em sus vidas.” (retiro popular 2008, pag8). Pecados próprios e de outros… Ela escolheu a Vida!
Revolução Jesus!
A”pecadora” neste trecho bíblico não tem nome. Assim, posso colocar o meu nome no lugar e vc pode por o seu.
Encaixe perfeito…


***

Tanto esperou pudesse um dia
Chegar bem perto dizendo tudo
Se não conseguiu como queria
O seu silêncio não ficou mudo!

Ela muito amou
Tem a minha paz
Vai seguir caminho sem temor
Sabe quem eu sou
E será capaz
De espalhar na terra o Meu amor.

Ela ultrapassou toda medida
Não lhe bastando meros preceitos
Lágrimas, perfume, que acolhida!
Nem se importando com preconceitos.

Se ninguém ousou dizer bem claro
O que pensava daquele gesto
Ele revelou como era raro
Esse carinho tão manifesto.

Ele é sempre mais que um convidado
Se põe à mesa nutrindo a vida!
Olha os corações e põe de lado
Toda aparência: cura a ferida.

Слава Ісусу Христу!
Unum core et anima una!
Pax et Bonum!

sexta-feira, 7 de março de 2008

EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
Carlos Drummond de Andrade.
Слава Ісусу Христу!


Marcas do eterno
(Pe. Fábio de Melo)
Antes de você entrar na minha vida
De se decidir por mimPor minha história
Haverá de ter clareza de saber bem
Quem eu sou
Pra depois não me dizer
Ter se enganado

Eu não posso ser o que você quiser
Sou bem mais do que os seus olhos
Podem ver
Se quiser seguir comigo
Eu lhe estendo a mão
Mas não pode um só momento
Se esquecer

Sou consagrado ao meu Senhor
Solo sagrado eu sei que sou
Vida que o céu sacramentou
Marcas do eterno estão em mim

Antes do seu amor chegar
Um outro amor já me encontrou
E me envolveu com tanta luz
Que já não posso me esquecer

Se mesmo assim quiser ficar
Seja bem vindo ao meu lugar
À este coração que resolveu
Plantar-se inteiro em Deus
E hoje não quer mais se aprisionar

Eu lhe peço que me ajude
A ser mais santo
Que por vezes me esqueça no meu canto
É que a minha santidade
Necessita solidão
Só assim minha presença
É mais saudável

Não me peça o que de mim
Pertence a Deus
Nem dê mais do que eu preciso receber
Ser amado em excesso
Faz tão mal quanto não ser
Eu lhe peço que me ajude a ser de Deus

Unun core et anima una!
Pax et Bonum!