Rádio

sábado, 17 de novembro de 2012

Santa Isabel da Hungria



Antífona da entrada: Vinde, benditos de meu Pai, diz o Senhor: eu estava doente e me visitastes. Em verdade vos digo, tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, foi  a mim que o fizestes. (Mt 25,34.36.40)

Isabel da Hungria era princesa, foi rainha e se fez santa. Era a filha do rei André II, da Hungria, e da rainha Gertrudes, de Merano, atual território da Itália. Nasceu no ano de 1207, e naquele momento foi dada como esposa a Luís, príncipe da Turíngia, atual Alemanha. Desde os quatro anos viveu no castelo do futuro marido, onde foram educados juntos.

O jovem príncipe Luís amava verdadeiramente Isabel, que se tornava cada dia mais bonita, amável e modesta. Ambos eram católicos fervorosos. Luís admirava a noiva, amável nas palavras e atitudes, que vivia em orações e era generosa em caridade com pobres e doentes.

A mãe de Luís não gostava da devoção da sua futura nora, e tentou convencer o filho de desistir do casamento, alegando que Isabel seria uma rainha inadequada politicamente. A própria Corte a perseguia por causa de seu desapego e simplicidade cristã. Mas Luís foi categórico ao dizer preferir abdicar do trono a desistir de Isabel. Certamente, amava-a muito.

No castelo de Wartenburg, quando atingiu a maioridade, foi corado rei e casou-se com Isabel, que se tornou rainha aos catorze anos de idade. Ela foi a única soberana que se recusou a usar a coroa, símbolo da realeza, durante a cerimônia realizada na Igreja. Alegou que, diante do nosso Rei coroado de espinhos, não poderia usar uma coroa tão preciosa. Foi assim que o então rei Luís IV acompanhou a seu desejo e tornou-se rei sem colocar a sua coroa, também, diante de Cristo.

Foi um casamento feliz. Ele era sincero, paciente, inspirava confiança e era amado pelo povo. Nunca colocou obstáculos à vida de oração, penitência e caridade da rainha, sendo, ao contrário, seu incentivador. Em Marburg, Isabel construiu o Hospital de São Francisco de Assis para os pobres e doentes leprosos. Além de ajudar com seu dinheiro muitos asilos e orfanatos, os quais visitava com freqüência.

Depois de seis anos, a rainha Isabel ficou viúva, com três filhos pequenos. O rei Luís IV, participando de uma cruzada, morreu antes de voltar para a Alemanha. A partir de então, as perseguições da Corte contra ela aumentaram. A tolerância quanto à sua caridade e dedicação religiosa acabou de vez. E o cunhado, para assumir o poder, expulsou-a do palácio junto com os três reais herdeiros ainda crianças.

Isabel ingressou, então, na Ordem Terceira de São Francisco e dedicou-se à vida de religião e à assistência aos leprosos no hospital que ela própria havia construído. Quando os cruzados que acompanhavam seu marido retornaram à Alemanha, ficaram indignados ao constatar como a rainha viúva e os herdeiros haviam sido tratados. Conseguiram fazer a viúva rainha Isabel reassumir o trono, que depois entregou ao seu filho, na maioridade.

Isabel da Hungria faleceu no dia 17 de novembro de 1231, com apenas vinte e quatro anos de idade, em Marburg, Alemanha. Quatro anos depois, em 1235, foi canonizada pelo papa Gregório IX. A Ordem Franciscana Secular venera-a como sua padroeira na festa celebrada no dia de sua morte.

Oração do dia
Ó Deus, que destes a santa Isabel da Hungria reconhecer e venerar o Cristo nos pobres, concedei-nos, por sua intercessão, servir os pobres e aflitos com incansável caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Igreja Católica atende mais de 50 mil refugiados sírios na Jordânia




ROMA, 09 Nov. 12 / 03:43 pm (ACI).- O diretor da Cáritas na Jordânia, Wael Suleiman, informou que o total de refugiados sírios em seu país já chegou à casa dos 250 mil. Dentre eles, 50 mil são atendidos pela instituição católica. Suleiman também agradeceu a presença do enviado do Papa na região, o Cardeal Robert Sarah.

Em declarações à agência vaticana Fides, Suleiman explica que se o conflito na Síria não tiver um solução  por volta de abril de 2013 a cifra de refugiados poderia duplicar.

O último relatório elaborado pela Cáritas da Jordânia confirma que diariamente cerca de 500 sírios cruzam a fronteira com o Reino Hachemita fugindo do sangrento conflito entre rebeldes e forças armadas do governo de Bashar al-Assad. A média das chegadas mensais à Jordânia ultimamente já chega a cifras de 12 a 15 mil prófugos. 75 por cento dos acolhidos nos acampamentos e centros de assistência são mulheres e crianças.

No maior campo de refugiados, o de Zaatari, a situação é insustentável. Ali, em uma zona desértica, cerca de 40 mil refugiados vivem em condições sumamente precárias.

Suleiman indicou a agência Fides: "nós comunicamos aos funcionários das Nações Unidas que o acampamento deveria ser fechado. Os refugiados, uma vez que entram, não podem sair. Agora começou a construção de outro campo de refugiados a 22 quilômetros de Zarqa, que deveria estar operativo no início de dezembro, com as infra-estruturas básicas que Zaatari não não possui".

Nesta sexta-feira, 9, o Cardeal Robert Sarah, Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum e enviado do Papa à região, se reunirá em Beirute (Líbano) com os representantes de agências católicas que trabalham no Meio Oriente para coordenar os esforços humanitários da Igreja Católica na região.

No Jordânia, os 120 empregados e 1.000 voluntários da Cáritas proporcionam assistência direta a mais de 52 mil refugiados sírios, com especial atenção aos mais debilitados e as crianças. "Com o apoio do Cáritas Polônia –explica Suleiman– estamos trabalhando em um projeto para fazer enfrentar também as emergências psicológicas de muitas destas crianças que correm o risco de ficar marcados pelo resta da vida pelas coisas terríveis que viram".

O compromisso do Cáritas-Jordânia ante o drama sírio começou em novembro de 2011. Comentando a visita do Cardeal Sarah, Suleiman disse que "o povo sírio está esperando alguém que possa pelo menos tentar trazer a paz. As pessoas estão perdendo a esperança e desejam alguém que as ajude. E a Igreja neste aspecto pode fazer muito".

"Eu percebia isso quando acompanhei o Bispo Maroun Lahham em sua visita ao acampamento de Zaatari. Ali, onde só há muçulmanos, todos se aproximaram do Bispo para pedir-lhe ajuda e sobre tudo que (o prelado) rezasse por eles", concluiu.

São Josafá, bispo e mártir




Antífona da entrada: Este santo lutou até a morte pela lei de seu Deus e não temeu as ameaças dos ímpios, pois se apoiava numa rocha inabalável.

Tudo na vida de João Kuncewics aconteceu cedo e rápido. Nascido de família cristã ortodoxa da Ucrânia, em 1580, estudou filosofia e teologia. Aos vinte anos, tornou-se monge na Ordem de São Basílio, recebendo o nome de Josafá. Em pouco tempo, era nomeado superior do convento e, logo depois, arquimandrita de Polotsk. Com apenas trinta e sete anos, assumiu, embora a contragosto, o arcebispado de Polotsk.

Dizem os escritos antigos que a brilhante carreira era plenamente justificada pelos seus dotes intelectuais e, principalmente, pelo exemplo de suas virtudes, obediência total à disciplina monástica e à prática da caridade.

Exemplo disso foi quando, certa vez, sem ter como ajudar uma viúva que passava necessidades, penhorou o pálio de bispo para conseguir dinheiro e socorrê-la.

Vivia-se a época do cisma provocado pelas igrejas do Oriente e Josafá foi um dos grandes batalhadores pela união delas com Roma, tendo obtido vitória em muitas das frentes de batalha.

Josafá defendia com coragem a autoridade do papa e o fim do cisma, com a conseqüente união das igrejas. Pregava e fazia questão de seguir os ensinamentos de Jesus numa só Igreja, sob a autoridade de um único pastor. Sua luta incansável reconquistou muitos hereges e ele é considerado o responsável pelo retorno dos rutenos ao seio da Igreja. Embora outras igrejas do Oriente não o tenham seguido, foi uma vitória histórica e muito importante.

Atuando dessa forma e tendo as origens que tinha, é evidente que sofreria represálias. Foi vítima de calúnias, difamação, acusações absurdas e uma oposição ameaçadora por parte dos que apoiavam o cisma. Em uma pregação, chegou a prever que seu fim estava próximo e seria na mão dos inimigos. Até mesmo avisou "as ovelhas do seu rebanho", como dizia, de que isso aconteceria. Mas não temia por sua vida e jamais deixou de lutar.

Em uma das visitas às paróquias sob sua administração, sua moradia foi cercada e atacada. Muitas pessoas da comitiva foram massacradas. O arcebispo Josafá, então, apresentou-se aos inimigos perguntando porque matavam seus familiares se o alvo era ele próprio. Impiedosamente, a multidão maltratou-o, torturou-o, matou-o e jogou seu corpo em um rio.

Tudo ocorreu no dia 12 de novembro de 1623, na cidade de Vitebsk, na Bielorússia. Seu corpo, depois, foi recuperado e venerado pelos fiéis. Mais tarde, os próprios responsáveis pelo assassinato do arcebispo foram presos, julgados, condenados e acabaram convertendo-se, escapando da pena de morte.

O papa Pio IX canonizou-o em 1876. São Josafá Kuncewics, considerado pelos estudiosos atuais da Igreja o precursor do ecumenismo que vivemos em nossos dias.

Oração
Suscitai, ó Deus, na vossa Igreja o Espírito que impeliu o bispo são Josafá a dar a vida por suas ovelhas e concedei que, por sua intercessão, fortificados pelo mesmo Espírito, estejamos prontos a dar nossa vida pelos nossos irmãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Se os evangelizadores não forem santos fica difícil ajudar os outros (Parte 2)


Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, explica de forma concreta o texto da mensagem final do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização

Maria Emília Marega


ROMA, terça-feira, 06 de novembro de 2012(ZENIT.org) – Apresentamos a segunda parte da entrevista com Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, que participou da comissão responsável por redigir o texto da mensagem final da XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã.

Novos métodos para uma Nova Evangelização...
Dom Sérgio: Quando se pensa em Nova Evangelização logo se pensa em métodos, isto é verdade, conforme a conhecida frase de João Paulo II. Mas precisamos ter atenção, pois esta diz: novo ardor e novos métodos, primeiro novo ardor e depois novos métodos. É impossível ter este ardor sem a experiência do Encontro e sem a vivencia da Palavra. A pessoa tem que acolher o Evangelho como vida nova para ela, e depois fazer isto com os irmãos.
O encontro pessoal na Igreja é fundamental, conforme cita o terceiro ponto da mensagem. Podemos dizer que o texto tem um primeiro olhar para Cristo, o encontro com Cristo; um segundo olhar para a Igreja e a experiência de vida comunitária, do amor fraterno, da caridade, e aqui se lê: comunidades acolhedoras, solidárias.

Porque existe esta dificuldade de fazer as pessoas se sentirem acolhidas?
Dom Sérgio: Acho que entra a questão pastoral, o modo de se vivenciar uma paróquia, uma comunidade, mas entra muito a própria experiência de fé, de vida fraterna, de caridade na comunidade. Ninguém oferece aquilo que não tem, uma comunidade que vive a caridade entre si também vai se abrir para acolher quem chega. Uma comunidade que for apenas de gente que se encontra, mas não tem vida fraterna, não tem vida comunitária, fica difícil dispor para acolher os outros.
O primeiro desafio é formar comunidades que vivem da fé, que fazem a experiência do encontro com Cristo, mas que vivem a caridade. O Papa fala na Porta Fidei desta dupla dimensão para o Ano da Fé e também para a Nova Evangelização: a fé e a caridade. Você anuncia, mas a caridade é fundamental. Acho que o texto da mensagem cita inclusive Tertuliano: Vede como eles se amam.
O texto da mensagem tem a seguinte estrutura: um olhar para Cristo, o encontro com Cristo e a fé; um olhar para a Igreja, a vida de comunhão, a caridade; um olhar para o mundo, a missão.

Alguns dizem que a mensagem final do Sínodo tem uma visão muito otimista da realidade. É isso mesmo?
Dom Sérgio: A mensagem não tem um olhar pessimista, a Igreja se sente sim desafiada, mas não acuada; a Igreja tem uma proposta, tem algo a oferecer para esse mundo sofrido, algo novo. A Europa sobretudo que tem um quadro mais sofrido em termos de vida de Igreja, de cultura aberta à fé, muito marcado pela secularização, pela exclusão da Igreja dos espaços públicos, mas não é algo que não fica só na Europa. A secularização é um desafio que vai passando para outros países, mesmo assim, se olha para o mundo secularizado como ocasião para a evangelização, e a mensagem diz que isto é uma oportunidade.

Qual era o olhar dos Padres Sinodais para a juventude?
Dom Sérgio: Inicialmente este olhar era muito um olhar para o futuro, os jovens como futuro da Igreja, futuro da humanidade; em um segundo momento, e isto está no texto, isto foi equilibrado destacando a atuação dos jovens no presente. Na verdade, é possível observar que há sim muitos jovens na Igreja, sobretudo na América Latina e na África onde muitos ministérios e serviços da Igreja são exercidos por jovens. Por exemplo, a catequese, a liturgia, a crisma, e outras atividades da paróquia. Mas é também verdade que a grande parte dos jovens não estão na Igreja e nós temos sim que fazer muito.
E nós temos que evangelizar contando com os próprios jovens e a Jornada Mundial da Juventude aparece aqui como um dos grandes meios para evangelizar, que reúne jovens do mundo todo, como vai acontecer no Brasil em 2013.

Como o senhor resumiria a mensagem final do Sínodo sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã?
Dom Sérgio: Acho que a mensagem final poderia ser resumida em termos de atitude em três pontos: gratidão, atitude de esperança e responsabilidade do tempo presente.
Gratidão: em primeiro lugar á Deus, ação de graças a Deus, mas acompanhado de gratidão às pessoas que se lançam na evangelização, todo o clero, os religiosos e as religiosas, os consagrados, os leigos e os movimentos, as pastorais, as novas comunidades. Isto é a Nova Evangelização: a igreja toda evangelizando.
Atitude de esperança: uma visão que não é negativa, mas sim realista, tanto que em alguns momentos podemos ler alguns problemas enfrentados por muitas dioceses do mundo. Mas podemos também ver a realidade do Brasil com muita esperança; é possível ver uma grande atuação dos leigos, dos movimentos e pastorais. Nós não estamos em crise na maior parte das dioceses, é o contrário, nós não sabemos como acolher tanta gente. Precisamos olhar para a Igreja em seu conjunto, claro que cada diocese tem seus próprios desafios, mas não podemos olhar só para a realidade da Europa, ou da África, ou da América Latina. Eu vejo este Sínodo como uma grande partilha, uma grande comunhão.
Responsabilidade do momento presente: estamos em um momento em que não podemos assistir passivamente, nós somos chamados a abraçar a causa da Nova Evangelização pra valer e não pela metade. Cada paróquia, cada pastoral, cada movimento tem que fazer a sua parte para que Jesus, a fé em Cristo, a Palavra, o Evangelho chegue ao coração de toda a sociedade em suas várias expressões: famílias, jovens, (...).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Se os evangelizadores não forem santos fica difícil ajudar os outros (Parte 1)


Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, explica de forma concreta o texto da mensagem final do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização

Maria Emília Marega

ROMA, segunda-feira, 05 de novembro de 2012(ZENIT.org) – A Mensagem final da XIII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã reflete uma Igreja Viva, pronta para enfrentar os desafios e problemas do nosso tempo.
Para aprofundar a mensagem de forma concreta ZENIT conversou com Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, que participou da comissão responsável por redigir o texto.

O senhor foi convocado pelo Papa para compor a comissão responsável por redigir a mensagem final do Sínodo dos Bispos. Como foi?
Dom Sérgio: Para mim foi uma surpresa! Eu na verdade não tinha sido comunicado diretamente, foi em plenário que eu fiquei sabendo da nomeação. Eram 12 bispos representando os 5 continentes; da América, o cardeal de New York e eu, podemos dizer, representando a América Latina. Trabalhamos em conjunto, partilhamos um pouco da experiência que vivemos no próprio continente.

O que significou esta convocação inesperada para a América Latina?
Dom Sergio: Foi muito importante. Os próprios bispos viram neste gesto do Papa, de fato, um gesto de reconhecimento da importância da Igreja que está no Brasil e na América Latina.

Quais foram as novidades desta mensagem?
Dom Sérgio: Uma das novidades do texto atual é que ao final os Padres Sinodais se dirigem especificamente aos 5 continentes. No caso da América Latina foi expresso um pouco da realidade latino americana, tanto os valores como os desafios, na verdade, vão muito além do que o próprio texto consegue expressar.
A mensagem quer expressar a Catolicidade da Igreja sem menosprezar o que é próprio de cada região e por isso tem essa índole geral e somente no final dirige uma palavra específica de apoio, gratidão, esperança e também alguma orientação para cada um dos 5 continentes. Nisto se manifesta a Catolicidade: a Igreja é Uma na diversidade, o mistério Trinitário da Igreja.
A mensagem não quer e não deve ser um resumo do Sínodo, ela é uma referência significativa enquanto não se tem a Exortação Apostólica, que é post-sinodal e demora um pouco, a anterior demorou quase 2 anos. O texto atual é mais longo, pois quis acolher grande parte das reflexões. Apesar de conter grandes aspectos que foram destacados durante a assembléia, não são todos, as proposições são mais completas.

O que foi colocado em evidência para a América Latina?
Dom Sérgio: O texto fala da gratidão à América Latina pelo seu testemunho e destaca a piedade popular como um dos grandes valores; também consta o serviço da caridade e o diálogo com as culturas locais que hoje é também, o diálogo com as culturas modernas.
Os desafios destacados foram: a pobreza, a violência e as novas denominações religiosas.
Como propostas para a América Latina os Bispos recomendam aquilo que está no documento de Aparecida: uma Igreja em estado permanente de missão formando comunidades de discípulos missionários de Jesus Cristo.

Para o senhor o que ficou mais marcado?
Dom Sergio: Eu pessoalmente vejo a referência da Samaritana como um dos aspectos mais genuínos dessa mensagem, embora apareça pouco, em 2 momentos, sobretudo, ilumina a própria mensagem. O primeiro momento é o encontro com Cristo na beira do poço, as condições que ela trazia e a água que Jesus oferece, a água viva; o poço transformando a vida dela. Não dá para fazer Nova Evangelização sem o encontro com Cristo que está na origem e na finalidade. Nós queremos partir do encontro com Cristo e levar as pessoas ao encontro com Cristo. É um encontro que pressupõe conversão, uma vida nova.

Como orientar as pessoas que buscam este poço e têm sede, mas estão perdidas?
Dom Sérgio: Os evangelizadores devem vivenciar, fazer esta experiência do encontro com Cristo; não dá para somente convidar os outros. A Samaritana vai ao encontro do povo e conta a experiência dela, que é muito importante, mas existe um terceiro passo quando as pessoas dizem que já não estão mais acreditando apenas porque ela falou, mas porque eles também fizeram essa mesma experiência, que é contagioso. Nós levamos para os outros o nosso testemunho, porém queremos que eles também façam a mesma experiência.

E como levar as pessoas a esta experiência do Encontro com Cristo?
Dom Sérgio: Os evangelizadores têm que se dispor à conversão, conforme citado no item 5 da mensagem: evangelizar a nós mesmos e dispor-nos à conversão. Se os evangelizadores não forem santos, não se dispuserem a viver na santidade fica muito difícil ajudar os outros.

A parte 2 desta entrevista será publicada amanhã, quarta-feira (07)

domingo, 4 de novembro de 2012

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS



Antífona da Entrada: Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

Leituras: Ap 7,2-4.9-14; Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6(R/. cf. 6); 1Jo 3,1-3; Mt 5,1-12a

“Festejamos a cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde nossos irmãos, os santos, vos cercam e cantam eternamente o vosso louvor. Para esta cidade caminhamos pressurosos, peregrinando na penumbra da fé” (Prefácio da Missa de todos os Santos). Neste final de semana, olhamos para cima, buscando as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita do Pai (cf. Cl 3,1), pois Deus, que nos fez para a comunhão com Ele na eternidade, não pensou para nós o nivelamento no pecado, na maldade, na corrupção. Fomos feitos para a perfeição, para a santidade. Ser santos é nossa vocação, partindo da santidade que é dom recebido no Batismo (1 Jo 3,1-3), para percorrer os passos da santidade moral, dever de todo cristão.

O reconhecimento da santidade de homens e mulheres, quando a Igreja celebra beatificações ou canonizações, como fez há poucos dias o Papa Bento XVI (cf. Homilia do Papa Bento XVI, no dia 21 de outubro de 2012), quer mostrar a todas as pessoas, de todas as classes sociais, idades e vocações, que a proposta da vivência do Evangelho lhes é igualmente destinada.

São Jacques Berthie, sacerdote jesuíta francês, missionário em Madagascar, lutou contra a injustiça, levando alívio aos pobres e enfermos. Os malgaxes o consideravam um sacerdote vindo do céu, e diziam: Tu és o nosso "pai e mãe"! Morreu dizendo: «Prefiro antes morrer que renunciar à minha fé». Retidão e coerência na profissão de fé como bússola para a própria vida!

São Pedro Calungsod, catequista, evangelizador, mártir! Demonstrou grande fé e caridade, e continuou catequizando os seus muitos convertidos, dando testemunho de Cristo através de uma vida de pureza e dedicação ao Evangelho. A estrada da santidade é feita também para os jovens, dos quais se espera respostas corajosas!

São Giovanni Battista Piamarta, sacerdote de Brescia, na Itália, apóstolo da caridade e da juventude, dedicou-se ao progresso cristão, moral e profissional das novas gerações, com a sua esplêndida humanidade e bondade, com confiança inabalável na Providência Divina e profundo espírito de sacrifício. O segredo da sua vida, intensa e ativa, residia nas longas horas que ele dedicava à oração. Quando estava sobrecarregado pelo trabalho, aumentava o tempo do encontro, de coração a coração, com o Senhor. Ser santo é ser criativo, buscar saídas novas para os problemas, olhar ao redor para descobrir o que é possível fazer para melhorar o mundo.

Santa Maria del Carmelo Salles y Barangueras, religiosa espanhola deixou a herança de uma obra educativa confiada à Virgem Imaculada, que continua a dar frutos abundantes entre os jovens e através da entrega generosa das suas filhas que, como ela, se confiam ao Deus que pode tudo. Santidade é contagiar outras pessoas com otimismo e virtude! Quem vai atrás de Jesus Cristo é seguido pelas outras pessoas, pois o exemplo arrasta!

Santa Marianne Cope, alemã, cuidou dos leprosos no Havaí, aceitou o convite para abrir uma casa para mulheres e meninas na Ilha de Molokai, partindo com coragem, onde cuidou do Padre Damião, então já famoso pelo seu trabalho heroico com os leprosos, assistindo-o até a sua morte e assumindo o seu trabalho com os leprosos. Procura-se gente que aceite desafios! Inscrições abertas em nossas Igrejas!

Santa Kateri Tekakwitha, indígena, filha de pai Mohawk e de mãe Algoquin cristã, que lhe transmitiu a fé no Deus vivo. Batizada aos vinte anos de idade, manteve-se fiel às tradições culturais do seu povo, morreu com vinte e quatro anos. Levando uma vida simples, Kateri permaneceu fiel ao seu amor por Jesus, à oração e à Missa diária, receitas infalíveis para uma vida de perfeição cristã. Nela, fé e cultura se enriqueceram mutuamente! A ficha para a inscrição na Escola da santidade aceita pessoas de todas as raças, culturas e idades! Sejam também bem vindos os povos indígenas!

A jovem Santa Anna Schäffer, nascida em uma família humilde, conseguiu, trabalhando como doméstica, ajuntar o dote então necessário para poder entrar na vida religiosa. Neste emprego, sofreu um grave acidente com queimaduras incuráveis nos seus pés, que a prenderam em um leito pelo resto da vida. Seu quarto de enferma se transformou em uma cela conventual, e o seu sofrimento, em serviço missionário. Seu apostolado de oração e de sofrimento, de oferta e de expiação seja um exemplo luminoso e que a sua intercessão fortaleça a atuação abençoada dos centros cristãos de curas paliativas para doentes terminais. A vaidade pessoal superada, a oferta da vida a Deus e aos irmãos, sem perder tempo! Um roteiro na estrada das pessoas que “decidem em seu coração fazer a santa viagem”! (cf. Sl 83,6)

Esta é, quem sabe, uma nova espécie de ladainha, à qual se pode acrescentar uma lista de nomes e estilos de vida, inclusive o meu e o seu! Seja uma sadia propaganda para que as propostas das bem-aventuranças (Mt 5,1-12) encontrem eco no coração dos homens e mulheres de nosso tempo.

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo Metropolitano de Belém