Rádio

sábado, 26 de março de 2011

3º DOMINGO DA QUARESMA

Domingo, 27 de março de 2011

1ª Leitura: Ex 17,3-7

Salmo: Sl 94(95) 1-2.6-7.8-9. (R/. 8: “Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!”)

2ª Leitura: Rm 5,1-2.5-8

Evangelho: Jo 4,5-15.19b-26.39ª.40-42


REFLEXÃO


Os textos de hoje a importância vital da água para a manutenção da Vida. Na primeira leitura, o povo cansado da liberdade e com sede reclama do Senhor. Provoca-O e O tenta. O Senhor, na sua misericórdia, se mostra rochedo e deste rochedo brota a água que, matando a sede do povo inconformado, o recoloca na travessia para a liberdade. Paulo nos vai afirmar que a água que mata a nossa sede "é o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado".


O Evangelho nos mostra Jesus pedindo água para uma mulher samaritana. Ao oferecer o dom da água viva, que a mulher pensa ser uma mina d'água, ela, carinhosamente lembra Jesus que Ele não tem um balde. Jesus, ao não condenar a samaritana e nem julgá-la, abre o coração desta mulher e dialoga com ela sobre a adoração do Senhor, diante da qual nossos tropeços e fragilidades são insignificantes. Finalmente, Jesus declara a disputa superada.


A Adoração do Senhor não tem lugar e muito menos templo. A adoração do Senhor é, em espírito e verdade, no e pelo encontro amoroso do outro, diferente de nós, mas em comunhão fraterna. Devemos nos perguntar qual a sede de nossa vida, aqui e agora. E onde e que água estamos buscando para saciá-la. Quem não reconhece, em espírito e em verdade, a sua sede não busca e corre o risco de se acomodar na mediocridade, bebendo qualquer coisa que possa iludi-lo.


Temos que reconhecer que só o amor nos dá a vida e nos faz viver na verdade, matando, cotidianamente, a nossa sede e nos entusiasmando para as novas sedes que estão por vir. Nada devemos temer, na nossa travessia, porque nos foi prometido: "A quem tiver sede, darei gratuitamente da fonte da água viva" (Ap 21,6-7).

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Pe. Paulo Botas, mts

quarta-feira, 9 de março de 2011

Mensagem do Papa Bento XVI para a Campanha da Fraternidade 2011

Ao Venerado Irmão

DOM GERALDO LYRIO ROCHA
Arcebispo de Mariana (MG) e Presidente da CNBB

É com viva satisfação que venho unir-me, uma vez mais, a toda Igreja no Brasil que se propõe percorrer o itinerário penitencial da quaresma, em preparação para a Páscoa do Senhor Jesus, no qual se insere a Campanha da Fraternidade cujo tema neste ano é: "Fraternidade e vida no Planeta", pedindo a mudança de mentalidade e atitudes para a salvaguarda da criação.

Pensando no lema da referida Campanha, "a criação geme em dores de parto", que faz eco às palavras de São Paulo na sua Carta aos Romanos (8,22), podemos incluir entre os motivos de tais gemidos o dano provocado na criação pelo egoísmo humano. Contudo, é igualmente verdadeiro que a "criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus" (Rm 8,19). Assim como o pecado destrói a criação, esta é também restaurada quando se fazem presentes "os filhos de Deus", cuidando do mundo para que Deus seja tudo em todos (cf. 1 Co 15, 28).

O primeiro passo para uma reta relação com o mundo que nos circunda é justamente o reconhecimento, da parte do homem, da sua condição de criatura: o homem não é Deus, mas a Sua imagem; por isso, ele deve procurar tornar-se mais sensível à presença de Deus naquilo que está ao seu redor: em todas as criaturas e, especialmente, na pessoa humana há uma certa epifania de Deus. «Quem sabe reconhecer no cosmos os reflexos do rosto invisível do Criador, é levado a ter maior amor pelas criaturas» (Bento XVI, Homilia na Solenidade da Santíssima Mãe de Deus, 1º-01-2010). O homem só será capaz de respeitar as criaturas na medida em que tiver no seu espírito um sentido pleno da vida; caso contrário, será levado a desprezar-se a si mesmo e àquilo que o circunda, a não ter respeito pelo ambiente em que vive, pela criação. Por isso, a primeira ecologia a ser defendida é a "ecologia humana" (cf. Bento XVI, Encíclica Caritas in veritate, 51). Ou seja, sem uma clara defesa da vida humana, desde sua concepção até a morte natural; sem uma defesa da família baseada no matrimônio entre um homem e uma mulher; sem uma verdadeira defesa daqueles que são excluídos e marginalizados pela sociedade, sem esquecer, neste contexto, daqueles que perderam tudo, vítimas de desastres naturais, nunca se poderá falar de uma autêntica defesa do meio-ambiente.

Recordando que o dever de cuidar do meio-ambiente é um imperativo que nasce da consciência de que Deus confia a Sua criação ao homem não para que este exerça sobre ela um domínio arbitrário, mas que a conserve e cuide como um filho cuida da herança de seu pai, e uma grande herança Deus confiou aos brasileiros, de bom grado envio-lhes uma propiciadora Bênção Apostólica.

Vaticano, 16 de fevereiro de 2011