terça-feira, 5 de maio de 2015

Maria foi discípula, depois Mestra

PARTE 1
Maria no projeto trinitário


A relação do Bem-aventurado Tiago Alberione com Maria, a Mãe de Jesus, foi tecida, ao mesmo tempo, de devoção, reflexão e ação.
O título que mais amou e propagou foi o de Maria, Rainha dos Apóstolos. Na realidade, este título era inseparável de outros dois: Maria Mãe e Mestra.
Tratava-se de uma herança recebida de Leão XIII, que na encíclica Adjutricem popoli christiani (Auxiliadora do povo cristão – 05/09/1895) havia declarado que a partir do Cenáculo Maria aceitou e cumpriu a sua missão de ajudar «admiravelmente os primeiros fiéis com a santidade do seu exemplo, com a autoridade dos seus conselhos, com a doçura dos seus incentivos, com a eficácia das Suas orações, tornando-se assim verdadeiramente mãe da Igreja e mestra e rainha dos Apóstolos, aos quais comunicou também aqueles divinos oráculos que ela “conservava ciosamente no seu coração”»
É na ação onde transparece de modo tangível a devoção a Nossa Senhora por parte do Padre Alberione, ou seja, em tudo aquilo que ele promoveu para torná-la conhecida, amada e seguida. São numerosos seus escritos marianos. Inspirou a ícone da Rainha dos Apóstolos. Fez o filme “Mater Dei”, primeiro filme italiano inteiramente a cores. Construiu o Santuário Basílica Rainha dos Apóstolos, que cobre uma superfície de 2.883 metros quadrados, ocupa um volume de 109.574 metros cúbicos e tem a altura de 101,47 m., do pavimento ao alto da cúpula, que é a quarta maior da cidade de Roma.
Foi em vista da decoração deste santuário que no Natal de 1947 o Padre Alberione pôs por escrito seus estudos e reflexões marianas, no livrinho O Caminho da Humanidade (em latim: Via Humanitatis - abrev.= VH)[1].
Este título encerra uma verdadeira chave para interpretar o pensamento teológico e mariano do Padre Alberione e constitui, também, a sua proposta de contemplação do mistério cristão, não unicamente ao redor da vida de Cristo (como na via crucis ou nos mistérios do rosário), mas partindo do desígnio trinitário da criação e percorrendo toda a História da Salvação até seu cumprimento final.
O caminho da humanidade é assim traçado no Proemio da Via Humanitatis: “Tudo vem de Deus-Princípio; para voltar a Deus-Fim: para a sua gloria e para a felicidade do homem”.
Mas o Caminho é Cristo Caminho, Verdade e Vida, e é nele que se realiza a adoção e a herança dos filhos de Deus: “O homem e a humanidade per Cristo invisível, na Igreja visível têm todo o bem temporal e eterno. Todos os filhos são esperados na casa do Pai celeste; cada um deles, por Maria, pode encontrar o Caminho-Cristo. Todos a indiquem com espírito de caridade e de apostolado”.
No primeiro quadro da Via Humanitatis o Padre Alberione propõe a seguinte contemplação: “A Santíssima Trindade beatíssima recolhe-se em conselho: do qual nasce o decreto: “Façamos o homem a imagem e semelhança nossa”. Maria Santíssima na mente de Deus é prevista obra-prima da criação. Deus é o primeiro Princípio e o último Fim de toda a criação”.
Encontramos no Documento de Aparecida uma afirmação que resume praticamente o pensamento do Padre Alberione: “A Virgem Maria é a imagem esplêndida da conformação ao projeto trinitário que se cumpre em Cristo. Desde a sua Concepção Imaculada até sua Assunção, recorda-nos que a beleza do ser humano está toda no vínculo do amor com a Trindade, e que a plenitude de nossa liberdade está na resposta positiva que lhe damos”(N. 141).



[1] G. Alberione, Via Humanitatis, Tip. Figlie di S. Paolo, Roma, dicembre 1959

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