domingo, 8 de novembro de 2009

Invocação ou Louvor?

"Sois grande, Senhor, e infinitamente digno de ser louvado" (Sl 95,4). "É grande o vosso poder e incomensurável a vossa sabedoria" (Sl 146,5). O homem, fragmentozinho da criação, quer louvar-Vos; - o homem que publica a sua mortalidade, arrastando o testemunho do seu pecado e a prova de que Vós resistis aos soberbos. Todavia, esse homem, particulazinha da criação, deseja louvar-Vos. Vós o incitaria a que se deleite nos vossos louvores, porque nos criaste para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós.
Concedei, Senhor, que eu perfeitamente saiba se primeiro Vos deva conhecer ou invocar.
Mas quem é que Vos invoca se antes não conhece? Esse, na sua ignorância, corre perigo de invocar outrem. - Ou, porventura, não sois antes invocado para depois serdes conhecido? "Mas como invocarão Aquele em quem não acreditaram? Ou como hão de acreditar, sem que alguém lhes pregue?" (Rm 10,14). "Louvarão ao Senhor aqueles que O buscarem" (Sl 21,27). Na verdade, os que O buscam, encontrá-Lo-ão, e aqueles que O encontraram hão de louvá-Lo.
Que eu Vos procure, Senhor, invocando-Vos; e que Vos invoque, crendo em Vós, pois nos fostes pregado. Senhor, invoca-Vos a fé que me destes, a fé que me inspirastes por intermédio da humanidade de vosso Filho e pelo ministério do vosso pregador.
AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1999, p 37-38.

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