sábado, 24 de setembro de 2011

Índia: "passividade e negligência" das autoridades

Pároco escreve carta a governo sobre perseguição a cristãos


NOVA DÉLI, quarta-feira, 21 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Depois dos repetidos ataques sofridos pela igreja católica siro-malancar de Nossa Senhora de Hyderabad (Índia), o pároco, Pe. John Felix, escreveu uma carta aberta às autoridades do estado indiano de Andra Pradesh, lamentando o ocorrido.

No texto, o sacerdote afirma que episódios como o de finais de agosto – incêndios de altares, queima de Bíblias, missais, livros de cânticos, crucifixos e ornamentos litúrgicos – “ocorreram somente devido à passividade e à negligência da polícia e de outras autoridades”.

Em sua carta, explica a associação caritativa internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), o Pe. Felix se lamenta pelo fato de que as investigações que se ocupavam dos ataques de 2004 e 2008 tenham sido arquivadas pela polícia sem que se chegasse a nenhuma conclusão.

Em julho de 2004, alguns membros da paróquia – entre eles, um sacerdote – que trabalhavam no terreno em que se estava construindo uma igreja, foram atacados por uma multidão de cerca de 100 pessoas, que os agrediram, insultaram e ameaçaram de morte.

Em junho de 2008, as portas do templo, terminado em 2006, foram fechadas por fora durante um serviço litúrgico, ainda que na igreja houvesse 250 pessoas, inclusive recém-nascidos e doentes.

“Para evitar outros enfrentamentos, seguimos a doutrina do nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, perdoamos e exercitamos o amor ao próximo”, destacou o pároco, fazendo um convite às autoridades para que reabram as investigações passadas e condenem o último incidente ocorrido, porque a paróquia está “sob uma ameaça constante”.

O bispo do lugar, Jacob Mar Barnabas, declarou a AIS que a igreja se encontra atualmente sob proteção da polícia e que a paróquia pretende reparar os danos o quanto antes.

Da mesma forma, pediu aos católicos do mundo inteiro que rezassem pelos seus fiéis, porque “há pessoas que não querem ter a igreja aqui”.

Como igreja católica oriental, a Igreja Siro-Malancar da Índia está em comunhão total com a Santa Sé. Conta com quase 430 mil fiéis.

Emergência

Apesar da difícil situação em que os cristãos indianos vivem, nestes dias a Cáritas está em primeira linha para ajudar as vítimas do terremoto que se verificou no nordeste do país e das inundações do estado de Orissa.

“Estamos muito preocupados pelas devastadoras inundações em Orissa e pelo terremoto que atingiu os estados de Sikkim e a parte norte de Bengala Ocidental”, declarou à agência Fides Anthony Chettri, delegado da Cáritas Índia para a zona nordeste.

O terremoto provocou 74 mortos até agora, centenas de desabrigados e as equipes de resgate têm dificuldades devido às condições meteorológicas adversas. A região mais afetada é a diocese de Darjeeling.

“Estamos em contato com o bispo local para analisar a situação e organizar possíveis intervenções”, afirmou Dom Thomas Menaparampil, arcebispo de Guwahati, ao nordeste da Índia.

“Expressamos nossa solidariedade com as palavras e com a oração, mas estamos preparados também para realizar ações humanitárias coordenadas. Para as áreas atingidas do Nepal e Bhutan, no entanto, os contatos são muito difíceis e será preciso esperar.”

Frente às inundações que arrasaram o estado de Orissa, a Cáritas proporcionou mais de 500 mil rúpias para uma primeira ajuda sanitária imediata às populações atingidas, dado o risco de epidemias, sobretudo no distrito de Puri e de Cuttack.

“O governo, a Igreja e a sociedade civil estão realizando um esforço comum. Voluntários e gente comum estão fazendo o que podem para assistir as vítimas”, contou a Fides o Pe. Manoj Kumar Nayak, encarregado da arquidiocese de Cuttack-Bhubaneswar.

Trabalhando junto ao Catholic relief service, a Igreja local proverá mais de 5.500 alojamentos para os desabrigados internos, independentemente da sua religião, casta ou etnia.

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