quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA



Mais uma festa de Nossa Senhora a figurar no calendário civil de feriados. Alguém se pergunta:onde está a famigerada secularização da Sociedade moderna que relegou para os rincões privados das Igrejas as festas e celebrações? A história não caminha linearmente e os fatos não recebem de todos a mesma interpretação. 

No interior da fé cristã, a festa mariana adquire sentido próprio, só inteligível e vivenciado por quem participa da vida da comunidade religiosa. Em termos católicos, descortina-se belíssimo significado na celebração litúrgica. No fundo da reflexão teológica, está o plano salvador de Deus. Somos humanidade, livre, consciente, entregue às próprias decisões. Os caminhos permanecem abertos. Deus não nos criou e nos determinou para realizar um projeto de antemão traçado, mas dotou-nos de liberdade. E liberdade implica risco. E aconteceu o pior. A história nos ensina como andamos perdidos com projetos loucos até o dia de hoje. Nos cálculos generosos dos paleontólogos, a humanidade já conta com milhões de anos de racionalidade. E imperam por todos os lados infinitas irracionalidades. Basta parar um minuto sequer e indagar: por que as guerras? Por que tanta violência nas cidades? Por que a fúria consumista que nos coisifica, especialmente em tempos natalinos? Por que a loucura destruidora da natureza, da biodiversidade? E por que a insânia das megalópoles cuja vida se faz sempre mais desumana e ameaçada? Poderíamos multiplicar ao infinito a história e geografia de nossas irracionalidades. 
E que faz Deus? Pela revelação e ação profunda, misteriosa põe-se continuamente a incentivar-nos a caminhar noutra direção. Seu plano de salvação resume-se num só mandamento: amar a Deus como fonte última de amor, pois Deus é amor, e embalado por este amor amar os demais seres humanos. Projeto maravilhoso, ousado, implantado no fundo coração de toda criatura, mas freqüentemente obscurecido pelo egoísmo pessoal e social. Não contente com a silenciosa ação no íntimo humano, enviou o Filho para traduzir em pessoa, mensagem e ações a concretização desse plano de amor. E as pessoas se medirão em bondade, em pureza, em grandeza de alma pela maior ou menor proximidade do amor. 

Quando falamos de Imaculada Conceição não nos restringimos a um privilégio da intimidade de Maria, mas proclamamos que uma mulher, como ninguém, se associou ao projeto divino do amor em tal grau de identificação que não lhe tisnou o coração, desde o alvorecer da existência, nenhuma mancha. Anuncia-nos, sendo ela pura criatura, a beleza de podermos também nós, não na mesma medida por culpa de nossas misérias, assumir o projeto de criar uma sociedade em que a lei fundamental seja o amor. 

Por mais secularizada que se torne a sociedade, nunca afetará a grandeza espiritual de alguém que consagrou toda a vida, sem desvio, sem regatear, a realizar em si e em todos os que a cercavam a maravilha de uma sociedade de comunhão e justiça amorosa. E que essa criatura seja mulher adquire ainda maior relevância cultural. 

A tradição grega e semita, fundida na cultura ocidental, traz a pecha de machista. Nos grandes projetos imaginamos sempre um homem à frente. Para enxertar o desígnio salvífico na árvore da história, o sim de Maria se fez necessário e o primeiro dado. Depois dele viemos nós. Esta festa ultrapassa os redutos restritos da Igreja católica e se torna momento cultural de chamado para os homens dedicarem-se à construção da civilização do amor, já que uma mulher lá no albor de tal projeto disse sim tão fecundo que até hoje ressoa no símbolo do dia santo e feriado.

Pe. João Batista Libânio , sj

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Santo Ambrósio, bispo e doutor da igreja



Conselheiro e pai espiritual de três imperadores romanos, Graciano, Valentiniano II e Teodósio I, Ambrósio é o símbolo da Igreja nascente, após os sofridos anos de perseguições e vida escondida. Foi graças à sua atuação que a Igreja de Roma conseguiu tratar com o poder público sem servilismo. 

Tanto que Ambrósio chegou a repreender asperamente o imperador Teodósio I, obrigando-o a fazer uma penitência pública por ter massacrado a população da Tessalônica para conter uma revolta. A sua figura representa o ideal de bispo pastor, que se deve impor como símbolo de liberdade e de pacificação para o Povo de Deus. 

Nasceu em Trèves, atual Alemanha, por volta do ano 339. Era de família cristã: seu pai era alto funcionário do Império Romano, governador de uma província do outro lado dos Alpes, no norte da Itália. Quando o pai morreu, a família foi para Roma, onde Ambrosio estudou direito, retórica e iniciou sua carreira jurídica. 

Certa vez, estava em Milão quando o bispo morreu. Bom jurista e funcionário imperial, procurou evitar um conflito nas novas eleições eclesiásticas com um discurso firme e muito sensato. Foi tão sereno e equilibrado que, ao final, a assembléia o aclamou o novo bispo de Milão. Muito surpreso, recusou, dizendo que essa não era a sua intenção, até porque era um pecador, e não era ainda batizado, ainda se preparava para esse sacramento. Mas não adiantou. Logo foi batizado e consagrado. 

Desde então, dedicou-se com afinco ao estudo das Sagradas Escrituras. Não era intelectual, mas suas obras litúrgicas, comentários sobre as Escrituras e tratados ascético-morais o fizeram especialista da doutrina cristã e da arte de administrar a comunidade cristã a ele confiada. 

A marca do seu apostolado foi impressa pela importância que deu aos valores da virgindade de Maria e dos mártires de Cristo. Considerado o pai da liturgia ambrosiana, recebeu com mérito o título de doutor da Igreja. 

Os livros de sua autoria que chegaram até nós são, quase todos, a reprodução de suas pregações e sermões. Agostinho, convertido por ele e um dos seus ouvintes freqüentes, conta que o prestígio dos sermões do bispo Ambrósio de Milão era enorme, graças ao eficaz tom de voz e sua eloqüência com a escolha das palavras. Por isso foi chamado de "o apóstolo da amizade". 

Morreu em Milão, em 4 de abril de 397, uma Sexta-Feira Santa. Santo Ambrósio é venerado no dia 7 de dezembro, data em que, no ano 374, foi aclamado pela população bispo de Milão.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O cristianismo vive o mistério da vinda real de Deus



PAPA JOÃO PAULO II

5ª AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 29 de Novembro de 1978

Já estamos habituados à palavra "advento". Sabemos o que significa, mas precisamente pelo facto de nos termos familiarizado com ela, talvez não cheguemos a compreender toda a riqueza que esse conceito encerra.

Advento significa "chegada".

Assim, devemos perguntar-nos: quem é que chega? e por quem vem?

Para esta pergunta, encontramos logo a resposta. Até os pequeninos sabem que é Jesus que vem, para eles e para todos os homens. Vem numa noite a Belém, nasce numa gruta que servia de estábulo para os animais.

Isto, que as crianças sabem, sabem-no igualmente os adultos que compartilham a alegria dos pequeninos e que na Noite de Natal parece tornarem-se, também eles, criancinhas. Contudo, muitas são as interrogações que devemos pôr-nos. O homem tem o direito, e mesmo o dever, de perguntar, para saber. Há ainda, porém, quem duvide, e, embora compartilhe a alegria do Natal, pareça estranho à verdade que ele encerra.

É por isso que temos o tempo do Advento, de modo que todos os anos possamos penetrar de novo nesta verdade essencial do cristianismo.

2. A verdade do cristianismo corresponde a duas realidades fundamentais que não podemos nunca perder de vista. Ambas estão intimamente ligadas entre si. E, precisamente, este ligame, tão íntimo que uma realidade parece explicar a. outra, é a nota característica do cristianismo. A primeira realidade chama-se "Deus"; a segunda, "o homem".

O cristianismo nasce de uma relação particular entre Deus e o homem. Nos últimos tempos — especialmente durante o Concílio Vaticano II — discutia-se muito sobre se essa relação era teocêntrica ou antropocêntrica. Para tal pergunta não teremos nunca uma resposta satisfatória se continuarmos a considerar separadamente os dois termos da questão. Porque, o cristianismo é antropocêntrico precisamente porque é plenamente teocêntrico; e ao mesmo tempo é teocêntrico graças ao seu singular antropocentrismo.

Ora, é precisamente o mistério da Encarnação que, por si mesmo, explica esta relação.

E é por isso que o cristianismo não é só uma "religião de advento", mas é o próprio Advento. O cristianismo vive o mistério da vinda de Deus até ao homem, e com esta realidade palpita e pulsa constantemente. Ela é, simplesmente, a vida mesma do cristianismo. Trata-se de uma realidade ao mesmo tempo profunda e simples, aberta à compreensão e à sensibilidade de cada um dos homens e sobretudo de quem, por ocasião da noite de Natal, sabe tornar-se criança. Não foi em vão que, uma vez, Jesus disse: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não entrareis no reino dos céus (Mt 18, 3).

3. Para compreender plenamente, esta dupla realidade com que o cristianismo cada dia palpita e pulsa, é necessário remontar às próprias origens da Revelação, ou mais ainda, quase até à nascente do humano pensar.

Quanto ao início do pensar humano pode haver duas concepções diferentes. O pensar de cada indivíduo tem a própria história na sua vida, desde a infância. Ao falar, porém, do "início", não nos propomos propriamente tratar da história do pensamento. Queremos só dizer que na base mesma do pensar, isto é, nas suas nascentes, se encontram o conceito de "Deus" e o conceito de "homem". Por vezes eles encontram-se encobertos por um estrato de muitos outros conceitos diferentes (em particular na hodierna civilização de "coisificação materialista" e também "tecnocrática"), mas isso não significa que aqueles conceitos não existam ou que se não encontrem na base do nosso pensar. Até mesmo o mais elaborado sistema ateu só tem sentido se se pressupõe que ele conhece o significado da ideia de "Theos", isto é, de Deus. A este propósito, justamente nos ensina a Constituição Pastoral do Vaticano II, que muitas formas de ateísmo derivam da falta de uma adequada relação com este conceito de Deus. Elas são, pois, ou pelo menos podem ser, negações de alguma coisa, ou melhor, de Algum outro que não corresponde ao Deus verdadeiro.

4. O Advento — como tempo litúrgico do ano eclesial — faz-nos voltar aos inícios da Revelarão. E precisamente nos inícios encontramo-nos logo com o ligame fundamental destas duas realidades: Deus e o homem.

Abrindo o primeiro livro da Sagrada Escritura, o Génesis, começamos a leitura com as palavras:Beresit bara! — No princípio criou... Logo depois vem o nome de Deus, que neste texto bíblico soa "Elohim". No princípio, criou; e Aquele que criou é Deus. Estas três palavras constituem como que o limiar da Revelação. Deus, no livro de Génesis não é definido só com o nome "Elohim"; outras partes deste livro usam também o nome "Jahvé". Mais claramente ainda fala d'Ele o verbo "criou". Efectivamente, este verbo revela Deus, quem é Deus. Exprime a sua substância não tanto em si mesma quanto em relação com o inundo, isto é, com o conjunto das criaturas sujeitas às leis do tempo e do espaço. O complemento circunstancial "ao princípio" indica Deus como Aquele que é antes deste princípio, que não é Limitado nem pelo tempo nem pelo espaço; e que "cria", isto é, que "dá início" a tudo o que não é Deus, àquilo que constitui o mundo visível e invisível (segundo o Génesis: o céu e a terra). Neste contexto, o verbo "criou" afirma de Deus, primeiro que tudo, que Ele mesmo existe, que é, que ele é a plenitude do ser, que tal plenitude se manifesta como Omnipotência, e que esta Omnipotência é ao mesmo tempo Sabedoria e Amor. Tudo isto nos diz sobre Deus a primeira frase da Sagrada Escritura. De tal modo se forma na nossa inteligência o conceito de "Deus", se nos referimos aos inícios da Revelação.

Seria interessante examinar em que relação está o conceito de "Deus", assim como o encontramos nos inícios da Revelação, com o que encontramos como base do pensamento humano (até mesmo no caso da negação de Deus, isto é, do ateísmo). Hoje, porém, não desejamos desenvolver este assunto.

5. Queremos, porém, verificar que nos inícios da Revelação — no mesmo livro do Génesis e já no primeiro capítulo — encontramos a verdade fundamental sobre o homem, que Deus (Elohim) cria à sua "imagem e semelhança". Aí lemos, na verdade: Deus disse: façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança (Gén 1, 26), e, em seguida: Deus criou o homem à sua imagem; a imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gén 1, 27).

Ao problema do homem voltarei na próxima quarta-feira. Mas já hoje devemos assinalar esta relação especial entre Deus e a sua imagem, isto é, o homem.

Esta relação ilumina-nos até sobre as bases do cristianismo.

Permite-nos também dar uma resposta fundamental a duas perguntas: primeira, que significa "o Advento"; segunda, porque faz precisamente "o Advento" parte da substância mesma do cristianismo?

Estas perguntas deixo-as à vossa reflexão. A elas voltaremos nas nossas futuras meditações e mais de uma vez. A realidade do Advento está cheia da mais profunda verdade sobre Deus e sobre o homem.

Saudações

Aos doentinhos

Agora quero dirigir uma saudação especial aos doentes. Com sincera benevolência de pai e pastor convido-vos a renovardes a vossa adesão total a Jesus crucificado, de cujos sofrimentos todos um. como cristãos, haurimos a realidade da nossa salvação. A Igreja, por conseguinte, conta também convosco. O Senhor vos ajude a conservar firmes a vossa fé e a vossa esperança, a fim de que se cumpra a Sua vontade quer no sofrimento quer na cura.

Aos jovens casais

Visto que se encontra aqui presente um numeroso grupo de Jovens Casais, desejo também saudá-los com particular afecto. O Senhor vos conceda um amor mutuo indefectível, que o tempo não dilua nunca mas torne fecundo, quer com a maturação recíproca perante a vida, quer com a procriarão responsável de filhos bons e sadios. O Senhor vos ajude com a Sua graça, e a minha Bênção vos acompanhe sempre.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CNBB divulga nota sobre o Código Florestal



A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã desta quinta-feira, 1º de dezembro, uma Nota sobre o Código Florestal na qual expressa sua preocupação pela possível aprovação do projeto com a falta de algumas “correções necessárias”.

“O projeto, ao manter ocupações em áreas ilegalmente desmatadas (Artigos 68 e 69) e permitir a recuperação de apenas metade do mínimo necessário para proteger os rios e a biodiversidade (Artigos 61 e 62), condena regiões inteiras do país a conviver com rios agonizantes, nascentes sepultadas e espécies em extinção”, destaca a CNBB em um trecho da Nota.

Ainda no texto, a Conferência sublinha que o projeto “não representa equilíbrio entre conservação e produção, mas uma clara opção por um modelo de desenvolvimento que desrespeita limites da ação humana”. 
Leia, abaixo, a Nota na íntegra

Nota da CNBB sobre o Código Florestal


O Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) da Conferência Nacional dos bispos do Brasil - CNBB, reunido nos dias 29 e 30 de novembro de 2011, vem manifestar sua preocupação com a possível aprovação, pelo Congresso Nacional, do projeto de reforma do Código Florestal brasileiro. Já aprovado nas devidas Comissões do Senado Federal, o novo Código Florestal, tão necessário ao Brasil, embora tenha obtido avanços pontuais na Comissão do Meio Ambiente, como um capítulo específico para a agricultura familiar, ainda carece de correções.

O projeto, ao manter ocupações em áreas ilegalmente desmatadas (Artigos 68 e 69) e permitir a recuperação de apenas metade do mínimo necessário para proteger os rios e a biodiversidade (Artigos 61 e 62), condena regiões inteiras do país a conviver com rios agonizantes, nascentes sepultadas e espécies em extinção. Sob o pretexto de defender os interesses dos pequenos agricultores, esta proposta define regras que estenderão a anistia a quase todos os proprietários do país que desmataram ilegalmente.

O projeto fragiliza a proteção das florestas hoje conservadas, permitindo o aumento do desmatamento. Os manguezais estarão abertos à criação de camarão em larga escala, prejudicando os pescadores artesanais e os pequenos extrativistas. Os morros perderão sua proteção, sujeitados a novas ocupações agropecuárias que já se mostraram equivocadas. A floresta amazônica terá sua proteção diminuída, com suas imensas várzeas abertas a qualquer tipo de ocupação, prejudicando quem hoje as utiliza de forma sustentável. Permanecendo assim, privilegiará interesses de grupos específicos contrários ao bem comum.

Diferentemente do que vem sendo divulgado, este projeto não representa equilíbrio entre conservação e produção, mas uma clara opção por um modelo de desenvolvimento que desrespeita limites da ação humana.

A tão necessária proteção e a diferenciação mediante incentivos econômicos, que seriam direcionados a quem efetivamente protegeu as florestas, sobretudo aos agricultores familiares, entraram no texto como promessas vagas, sem indicativo concreto de que serão eficazes.

Insistimos que, no novo Código Florestal, haja equilíbrio entre justiça social, economia e ecologia, como uma forma de garantir e proteger as comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas e de defender os grupos que sabem produzir em interação e respeito com a natureza. O cuidado com a natureza significa o cuidado com o ser humano. É a atenção e o respeito com tudo aquilo que Deus fez e viu que era muito bom (cf. Gn 1,30).

O novo Código Florestal, para ser ético, deve garantir o cuidado com os biomas e a sobrevivência dos diferentes povos, além de preservar o bom uso da água e permitir o futuro saudável à humanidade e ao ecossistema.

Que o Senhor da vida nos ilumine para que as decisões a serem tomadas se voltem ao bem comum. 

Brasília-DF, 30 de novembro de 2011

domingo, 4 de dezembro de 2011

2º DOMINGO DO ADVENTO

Leituras: Is 40, 1-5.9-11; Sl 84; 2 Pd 3,8-14; Mc 1,1-8



“Preparai o caminho do Senhor!”

Consolai, meu povo!
O tempo do Advento celebra as duas vindas de Cristo: Aquele que virá sobre as nuvens e o que veio sobre a palha. É a mesma dimensão de encontro com “Aquele que vem”. A liturgia do Advento nos coloca na mesma expectativa dos profetas, principalmente do profeta Isaías, pois rezamos na oração da missa: “Nós vos pedimos, ó Deus, que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho” (Oração). Isto é o mesmo que dizer: “Nivelem-se os vales, rebaixem os montes; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas” (Is. 40,4). O Advento nos remete ao sentimento de que um dia esse mundo será melhor, a partir do momento em que as pessoas aceitam Jesus na condição humana. Ele vem para implantar a paz, a justiça e o amor, como rezamos no salmo: “A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão” (Sl 84). Todas as promessas têm sua realização no que João anuncia. João é a síntese de todos os profetas: Anunciou a presença do Messias e O acolheu como o enviado do Pai. O profeta Isaias anuncia, ao povo que estava no exílio da Babilônia, uma libertação grandiosa como o Deus que vem a seu encontro. Deus mesmo liberta seu povo. Por isso o profeta inicia com palavras de conforto: “Consolai, consolai, meu povo… a servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida” (Is 40,1.2). É o novo Êxodo e, dessa vez, glorioso. No mundo atual, em meio a tantas escravidões, podemos ouvir a voz do profeta e de João que preconizam tempos novos de libertação. Cada Natal é a realização da libertação que vem de Deus através de seu Filho, o pastor que carrega os cordeiros ao colo (11). Infelizmente os caminhos estão bem estragados. Na Angola o povo cantava que estava difícil voltar para casa, pois o mato crescera no caminho. Sua vinda é consolação para todos sofredores.

Correr ao encontro de Jesus
Ir ao encontro de Cristo tem um endereço certo: a pessoa do irmão. Irmão não é só o irmão de fé, mas todo homem e toda mulher, pois todos são filhos e filhas de Deus. Ele vem ao nosso encontro e nós O encontramos no irmão: “Agora e em todos os tempos Ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana para que O acolhamos na fé e O testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização do seu Reino” (Prefácio). João Batista é o exemplo e o pregador desta verdade, pois ele próprio era desapegado de tudo e aberto para receber a Boa Notícia que é Jesus e comunicá-la. Deus age na história na libertação do exílio, na vinda de Jesus e no Reino presente no meio de nós. Para realizar essa missão e acolher e anunciar, como fez João, temos que ter uma vida penitente e despojada. Só o deserto pode nos formar.

Julgar os valores terrenos
Quais são os caminhos que devemos aplainar? O fiel necessita neste tempo a capacidade de discernir o que é de Deus e onde firmar sua esperança. Já temos por experiência que os bens terrenos são bons para conquistar o Reino dos Céus pela caridade. Mas não são bons quando nos conquistam. Jesus ensinou: “Fazei amigos com o dinheiro da iniqüidade, a fim de que, no dia em que falar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos” (Lc 16,9). Esta paz vem “os que voltam ao Senhor seu coração! (Id). A Eucaristia será sempre a mestra que ensina a julgar com sabedoria os valores terrenos e a colocar nossas esperanças nos bens eternos” (Pós-comunhão). Nossa vida prepara a vinda do Senhor a outros que vem.

1. Celebramos a dupla vinda de Cristo: nas nuvens e nas palhas. Nós vamos ao encontro. Como João e os profetas, estamos na expectativa. Que as atividades nãos nos impeçam. Isso significa abrir os caminhos e nivelá-los. Há um futuro melhor. Isaias consola o povo no exílio e promete um novo Êxodo.

2. Ir ao encontro tem como endereço o irmão. João era desapegado e aberto à Boa Nova. João se criou no deserto. Somente no deserto de uma vida penitente e despojada podemos acolher e anunciar.

3. É tempo de discernir o que é de Deus e onde firmar sua esperança. Os bens terrenos não são bons quando nos conquistam e são bons para conquistar o Reino dos Céus pela caridade. A Eucaristia ensina a julgar os valores.

Sujeito diferente
O Advento é tempo da preparação para acolher a vinda de Cristo no fim do mundo, mas é tempo também da memória da vinda de Jesus em nossa humanidade. Para este momento Deus preparou o mundo desde a criação do universo, do homem e da mulher e, depois, através de um povo que Ele formou para seu Filho ser cidadão.

Quando chegou o momento de Deus ser humano como nós, Ele nos apresentou primeiro um homem muito diferente, não estranho. João Batista é aquele que vem preparar o caminho do Senhor. Era como os profetas antigos, mas era diferente, pois não só anunciou um futuro próximo, mas o mostrou presente.

Como os antigos profetas eram cheio de símbolos. Anunciava a conversão. Ele mesmo estava preparado e preparando a vinda do Messias prometido. Era totalmente de Deus e despojado de tudo que era vaidade humana. Era diferente por ser muito bom.

João sabia seu lugar. Era importante, mas sabia que preparava o caminho para outro realizar sua missão. Como é bom a pessoa saber seu lugar!

Por:

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, Redentorista

sábado, 3 de dezembro de 2011

São Francisco Xavier, presbítero



A Igreja sempre se apoiou nos missionários para sua expansão no decorrer dos séculos. Primeiro foram os apóstolos que se espalharam pelo mundo após a ressurreição de Jesus. Durante o período do descobrimento, entre os séculos XV e XVI, o cristianismo encontrou nos missionários da Companhia de Jesus, os jesuítas, a forma de iniciar a evangelização nas Américas e no Oriente: Índia, Japão e China. 

Francisco Xavier, considerado o maior dos missionários jesuítas, foi o fundador dessas missões no Oriente. Nasceu no reino de Navarra, Espanha, em 7 de abril de 1506. Era filho de uma família nobre, que havia projetado para ele um futuro de glória e riqueza no mundo, matriculando-o, com dezoito anos, na Universidade de Paris. Mas não foi no campo terreno que ele se sobressaiu e sim no espiritual. Francisco formou-se em filosofia e lecionava na mesma universidade, onde conheceu um aluno bem mais velho e de idéias objetivas e tudo mudou. Tratava-se do futuro santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas. 

Loyola sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do cristianismo no mundo. Viu em Francisco alguém capaz de ajudá-lo na empreitada e tentou conquistá-lo para a causa. Tarefa que se revelou nada fácil, por causa do orgulho e da ambição que Xavier tinha, projetadas em si por sua família. Loyola, enfim, convenceu-o com uma frase que lhe tocou a alma: "De que vale a um homem ganhar o mundo inteiro se perder sua alma?" (Mc 8, 36). Francisco tomou-a como lema e nunca mais a abandonou, nem ao seu autor, Jesus Cristo. 

Os papéis se inverteram e Inácio passou a ser mestre de seu professor, ensinando-lhe o difícil caminho da humildade e dos exercícios espirituais. Francisco, por fim, se retirou por quarenta dias na solidão, preparando-se para receber a ordenação sacerdotal. Celebrou sua primeira missa com trinta e um anos e se tornou co-fundador da Companhia de Jesus. Passou, então, a cuidar dos doentes leprosos, doença de então, segregados pela sociedade. Com outros companheiros, fixou-se, em 1537, em Veneza, onde recolhia das ruas e tratava aqueles a quem ninguém tinha coragem de recolher. 

Foi então que D. João III, rei de Portugal, pediu a Inácio de Loyola para organizar um grupo de sacerdotes que acompanhassem as expedições ao Oriente e depois evangelizassem as Índias. O grupo estava pronto e treinado quando um dos missionários adoeceu e Francisco Xavier decidiu tomar o seu lugar. O navio, com novecentos passageiros, entre eles Francisco Xavier, partiu de Lisboa com destino às Índias. Foi o início de uma viagem perigosíssima e cheia de transtornos, que demorou praticamente um ano. Durante todo esse tempo, Francisco trabalhou em todos os serviços mais humildes do navio. Era auxiliar de cozinha, faxineiro e enfermeiro. Finalmente, chegaram ao porto de Goa. 

Desde então, Francisco Xavier realizou uma das missões mais árduas da Igreja Católica. Ia de aldeia em aldeia, evangelizava os nativos, batizava as crianças e os adultos. Reunia as aldeias em grupos, fundava comunidades eclesiais e deixava outro sacerdote para tocar a obra, enquanto investia em novas frentes apostólicas noutra região. Acabou saindo das Índias para pregar no Japão, além de ter feito algumas incursões clandestinas na China. 

Numa delas, na ilha de Sacian, adoeceu e uma febre persistente o debilitou, levando-o à morte, em 3 de dezembro de 1552, com apenas quarenta e seis anos de idade. A Igreja o beatificou em 1619, canonizando-o em 1622. Celebrado no dia de sua morte, como exemplo do missionário moderno, são Francisco Xavier foi, com toda justiça, proclamado pela Igreja patrono das missões, e pelo trabalho tão significativo recebeu o apelido de "são Paulo do Oriente".

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A virtude da temperança



PAPA JOÃO PAULO II

4ª AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 22 de Novembro de 1978

1. Na sucessão das Audiências do meu ministério pontifício, procurei executar o "testamento" do meu estimado Predecessor João Paulo I. Como é sabido, ele não deixou testamento escrito, porque a morte o arrebatou inesperada e improvisamente, mas deixou alguns apontamentos de que se conclui ter-se proposto, nos primeiros encontros das quartas-feiras, falar dos princípios fundamentais da vida cristã, ou seja, das três virtudes teologais — e isto teve tempo de o realizar — e depois das quatro virtudes cardeais — isto o está fazendo o seu indigno sucessor. Hoje é a vez de falar da quarta virtude cardeal, a "temperança", acabando de cumprir assim, dalgum modo, o programa de João Paulo I, programa em que pode ver-se como que um testamento do Pontífice falecido.

2. Quando falamos das virtudes — não só das cardeais, mas de todas e cada uma das virtudes — devemos conservar sempre diante dos olhos o homem real, o homem concreto. A virtude não é alguma coisa de abstracto, separado da vida, mas, pelo contrário, tem profundas "raízes" na vida mesma, dela brota, é ela que forma. A virtude incide na vida do homem, nas suas acções e no seu comportamento. Disto resulta que, em todas estas nossas reflexões, não falamos tanto da virtude quanto do homem que vive e procede "virtuosamente"; falamos do homem prudente, justo, corajoso e, por fim, hoje exactamente, falamos do homem "temperante" (ou "sóbrio").

Acrescentemos imediatamente que todos estes atributos, ou melhor atitudes do homem, provenientes de cada uma das virtudes cardeais, estão entre si conexas. Não se pode, por conseguinte, ser homem verdadeiramente prudente, nem autenticamente justo, nem realmente forte, se não se tem ainda a virtude da temperança. Pode-se dizer que esta virtude condiciona indirectamente todas as outras virtudes; mas deve-se dizer também que todas as outras virtudes são indispensáveis para que o homem possa ser "temperante" (ou "sóbrio").

3. O próprio vocábulo "temperança" parece em certo modo referir-se ao que está "fora do homem". Dizemos, de facto, que temperante é aquele que não abusa de alimentos, de bebidas e de prazeres, que não toma imoderadamente bebidas alcoólicas, não se priva da consciência pelo uso de estupefacientes, etc. Esta referência a elementos externos ao homem tem contudo a sua base dentro do homem. É como se em cada um de nós existisse um "eu superior" e um "eu inferior". No nosso "eu inferior" exprime-se o nosso "corpo" e tudo o que lhe pertence: as suas carências, os seus desejos, as suas paixões de natureza prevalentemente sensual. A virtude da temperança garante a cada homem o domínio do "eu superior" sobre o "eu inferior". Temos aqui humilhação do nosso corpo? ou diminuição? Pelo contrário, este domínio valoriza o corpo. A virtude da temperança leva o corpo e os nossos sentidos a encontrarem o justo lugar que lhes pertence no nosso ser humano.

O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo. Aquele em que as paixões não tornam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o "coração". O homem que sabe dominar-se a si mesmo! Se assim é, facilmente nos damos conta do valor fundamental e radical que tem a virtude da temperança. É absolutamente indispensável, para que o homem "seja" plenamente homem. Basta reparar nalguém que, arrastado pelas suas paixões, delas se torna "vítima", renunciando ele próprio ao uso da razão (como, por exemplo, um alcoolizado, um drogado). Verificamos então com evidência que "ser homem" significa respeitar a própria dignidade e, por isso, em particular deixar-se guiar pela virtude da temperança.

4. Esta virtude é chamada também "sobriedade". E é bem justo chamá-la assim! De facto, para podermos dominar as paixões — a concupiscência da carne, as explosões da sensualidade (por exemplo nas relações com o outro sexo) etc., devemos não ultrapassar o justo limite que se põe a nós próprios e ao nosso "eu inferior". Se não respeitamos este justo limite, não seremos capazes de dominar-nos. Não quer isto dizer que o homem virtuoso, sóbrio, não possa ser "espontâneo", não possa gozar, não possa chorar, não possa manifestar os próprios sentimentos, isto é, não significa que deva tornar-se insensível, "indiferente", como se fosse de gelo ou de pedra. Não, de nenhum modo! Basta olharmos para Jesus e convencer-nos-emos. A moral cristã nunca se identificou com a estóica. Pelo contrário, considerando toda a riqueza dos afectos e das emotividades de que é dotado cada homem — cada um aliás de modo diverso: dum modo o homem, doutro a mulher por causa da sensibilidade de cada um — é necessário reconhecer que o homem não pode chegar a esta espontaneidade madura, senão através de um trabalho intenso sobre si mesmo e uma especial "vigilância" sobre todo o seu comportamento. Nisto está de facto a virtude da "temperança", da "sobriedade".

5. Julgo que esta virtude exige de cada um de nós uma especial humildade quanto aos dons que Deus colocou na nossa natureza humana. Diria, "a humildade do corpo" e a "do coração". Esta humildade é condição necessária para a "harmonia" interior do homem: para a beleza "interior" do homem. Cada um reflicta bem neste ponto, em especial reflictam os jovens, e mais ainda as jovens, na idade em que tanto se tem a peito ser belo ou bela, para agradar aos outros! Recordemo-nos que o homem deve ser belo sobretudo interiormente. Sem esta beleza, todos os esforços que tenham em vista só o corpo não farão — nem dele nem dela — uma pessoa verdadeiramente bela.

E não é, por sinal, precisamente o corpo que sofre prejuízos sensíveis e muitas vezes até notáveis quanto à saúde, se falta ao homem a virtude da temperança, da sobriedade? A este propósito, muito poderiam dizer as estatísticas e as fichas clínicas de todos os hospitais do mundo. Disso possuem também grande experiência os médicos ocupados nos consultórios, a quem muitas vezes se dirigem noivos e jovens em geral. É verdade que não podemos julgar a virtude baseando-nos exclusivamente no critério da saúde psicofísica, abundam todavia as provas de a falta da virtude da temperança, da sobriedade, vir a prejudicar a saúde.

6. É preciso que eu termine aqui, embora esteja convencido de este assunto ficar mais interrompido do que esgotado. Talvez um dia se apresente a ocasião de a ele voltar.

Por agora, basta isto.

Deste modo procurei, como pude, executar o testamento de João Paulo I.

Rogo-lhe que peça por mim, quando tiver de passar a outros assuntos durante as audiências da quarta-feira.

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Saudações

Aos jovens casais

Tenho o prazer de agora dirigir uma palavra aos jovens casais aqui presentes e a todos os casais ainda jovens que iniciaram nova vida com o seu amor abençoado e santificado pela virtude do Sacramento do Matrimónio. Digo-vos: não receeis dar um carácter cristão à vossa nova família: Cristo está convosco! Está perto de vós para tornar estável e indissolúvel o vínculo que vos une na doação recíproca: está perto de vós para vos sustentar no meio das dificuldades e das provas, que não podem faltar sim, mas nunca são invencíveis, nunca destruidoras do amor conjugal quando ele é autêntico e não egoísta.

Com estes alegres votos, o Papa abençoa-vos na alegria do Senhor.

Aos doentinhos

Vá agora uma saudação particularmente afectuosa para os doentes. Todos vós que sofreis, ficai sabendo que o Papa vos ama especialmente porque fostes chamados a participar mais de perto na Paixão redentora do Salvador e porque diz respeito a vós a bem-aventurança evangélica: "Bem-aventurados os que estão aflitos porque serão consolados" (cfr. Mt. 5, 4). Coragem! O Papa está convosco: a vossa dor não é vã, constitui a riqueza da Igreja. Seja para vós de conforto a minha especial Bênção.

LEITURA ORANTE: A perda é salvação

Quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará. Preparo-me para a Leitura Orante, rezando com todos os que, nesta rede da...